Goody Music em Roma celebra 50 anos como templo da DJ culture europeia
Goody Music em Roma celebra 50 anos como a loja de discos mais antiga da Europa dedicada à DJ Culture e ao vinil.
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Goody Music em Roma celebra 50 anos como templo da DJ culture europeia
Em 2026, Goody Music, a icônica loja de discos situada na Via Flaminia, a poucos passos da Piazza del Popolo, completa 50 anos de atividade contínua. Inaugurada em 1976 e mantida na mesma sede histórica no bairro Flaminio, a loja é hoje reconhecida como a mais antiga da Europa dedicada à DJ Culture — um verdadeiro espelho do nosso tempo onde a música, a memória e as práticas do palco se encontram.
A história que transformou a loja em referência começou quando os irmãos Donato — Claudio e Franco — entraram em contato com a marca Goody Music, então em dificuldades, nas filiais de Milão e Roma. Em 1978, os irmãos assumiram o negócio e Claudio mudou-se para Roma para gerir pessoalmente o espaço. Desde então, e ao longo de cinco décadas, Goody Music manteve-se viva como ponto de encontro para deejays, jornalistas, colecionadores e apaixonados por vinil, sempre atenta às novidades indie e mainstream internacionais.
O endereço tornou-se palco e depósito de histórias: por ali passaram pioneiros da house italiana como Marco Trani e Claudio Coccoluto, lendas internacionais como Kerri Chandler e o DJ do mítico Studio 54, Kenny Carpenter; nomes que ajudaram a moldar os sons dos anos 1980 aos 2000. No circuito techno, artistas como Donato Dozzy, e no universo da funky house, Mousse T., gravaram seus itinerários sonoros nesta loja que funciona como um roteiro oculto da sociedade musical.
Entre os depoimentos de época, destaca-se um jovem Jovanotti que, antes de tornar-se estrela pop, passava tardes na loja garimpando vinil para seus sets — e ali mesmo nasceu seu primeiro single, “Walking”, produzido por Claudio Donato. A colaboração com o jornalista Roberto D’Agostino (Dago), que na revista Rockstar garimpava importações disco de EUA e Reino Unido, reforça o papel de Goody Music como curadora de tendências.
Além de loja, Goody Music foi produtora cultural: coproduziu concertos históricos que trouxeram a Roma nomes fundadores do hip hop global — Run DMC e Public Enemy tocaram no Teatro Tendastrisce em 1988 — e promoveu shows de artistas como Afrika Bambaataa, Cash Money e Cutmaster Swift. Nos anos 1990, os estúdios e a estrutura do selo impulsionaram a cena rap romana, fomentando trajetórias de Piotta, Cor Veleno e Turi.
O legado inclui também o apoio às competições técnicas do DJing: Goody Music organizou as primeiras cinco edições do DMC Contest em Roma, onde nasceram mestres do scratch como Prezioso e Zappalà. No início dos anos 2000, o selo Acid 80’ colocou no mapa o duo DJ Emix e D. Lewis, simbolizando a capacidade da loja de se reinventar e dialogar com novos cenários.
Celebrar 50 anos de Goody Music é ler, no acervo de uma prateleira, o roteiro oculto da cultura musical europeia — uma narrativa que mistura comércio, criatividade e ativismo cultural. A loja permanece um lugar onde se trocam discos e também memórias; onde se compra um vinil e, ao virar a capa, encontra-se um fragmento do zeitgeist. Em plena Flaminio, ela continua a ser um farol para quem busca não apenas som, mas contexto e história.
Como observadora do cenário cultural, afirmo que espaços como Goody Music são mais do que lojas: são arquivos vivos, prateleiras que refletem transformações sociais. Celebrar meio século de existência é celebrar o eco cultural que esses arquivos produzem na cidade e além dela — um verdadeiro reframe da realidade sonora que nos moldou.

