Mogol reage ao 'totomorte' de Elisa Isoardi: “Riu-se e lembra que a imortalidade seria uma punição”
Mogol ri do 'totomorte' de Elisa Isoardi e afirma que a imortalidade seria a pior punição; ele também cita seu livro La Rinascita.
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Mogol reage ao 'totomorte' de Elisa Isoardi: “Riu-se e lembra que a imortalidade seria uma punição”
Por Chiara Lombardi — Observadora do zeitgeist e ponte entre cultura pop e memória coletiva.
O lendário letrista Mogol (Giulio Rapetti) respondeu com ironia e elegância ao constrangedor post de Elisa Isoardi que circulou nos bastidores do programa Bar Centrale. A apresentadora publicou uma imagem tipo Deadpool — o popular “totomorte” em inglês coloquial — com uma lista de 22 nomes de personalidades, onde constava também o do compositor italiano, que completou 90 anos em agosto.
Em entrevista ao Espresso Italia, Mogol afirmou: “Não sei por que fizeram essa lista, mas eu rio disso. Nem faço os tradicionais gestos para afastar o mal.” A frase chega como um refrão de quem já viu várias temporadas do roteiro humano: a inevitabilidade da morte e a ironia de calendários públicos que brincam com o fim. “A pior punição para um ser humano seria viver eternamente”, acrescentou, numa reflexão que soa quase como um manifesto contra a ideia de imortalidade.
Ele não poupou opinião: considerou o episódio “mais do que estúpido”. Mas a crítica vem temperada de gratidão — “Felizmente cheguei aos 90 anos, que não é algo que acontece a todos” — e de um cuidado prático com a vida. Mogol recorda que dedicou ao tema um livro, La Rinascita, onde explora como preservar a saúde e evitar doenças, oferecendo um contraponto ao sensacionalismo da lista: enquanto alguns brincam com a finitude, ele investe em práticas de renovação.
Há algo fascinante neste choque de tonalidades. De um lado, a cultura viral que transforma medo em meme; do outro, uma voz da tradição artística que responde com filosofia existencial e um leve sorriso. Como cronista do contemporâneo, vejo nesse episódio um microcosmo do nosso tempo: a semiótica do viral que encontra o roteiro oculto da sociedade — medo, curiosidade e a busca por respostas que contenham o mistério da vida.
O comentário público de Mogol é também um espelho do debate sobre respeito e responsabilidade na esfera pública. Listas como essa, mesmo quando concebidas como brincadeira, tocam lembranças pessoais e suscitam reflexões éticas sobre onde fica a fronteira entre humor e desrespeito. A resposta do autor — uma mistura de humor, desapego e sabedoria editorial — reframeia a situação: não como escândalo, mas como convite para pensar o que valorizamos na vida e por que tememos o fim.
Em suma, a reação do letrista não é apenas uma defesa pessoal: é um convite a olhar além da anedota. A cultura pop nos mostra o espelho do nosso tempo, e figuras como Mogol nos lembram que, por trás do viral, há sempre um roteiro mais profundo — e muitas vezes mais humano — a ser contado.

