Quem é Frank Furedi: o sociólogo que inspira uma das provas da Maturità
Conheça Frank Furedi: o sociólogo por trás de uma das propostas da Maturità e suas críticas à cultura do medo e ao declínio acadêmico.
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Quem é Frank Furedi: o sociólogo que inspira uma das provas da Maturità
Uma das três propostas de tema da Maturità deste ano recorre a um texto do sociólogo de origem húngara Frank Furedi, extraído de seu livro I confini contano. Perché l'umanità deve riscoprire l'arte di tracciare frontiere. Naquela passagem, Furedi alerta para uma sociedade culturalmente à deriva, com dificuldade para criar sentido e significado, e que — tanto individual quanto coletivamente — tende a subestimar a capacidade de formular julgamentos. Por isso, defende ele, é essencial que a humanidade reaprenda a arte de traçar limites.
Frank Furedi nasceu em 1948, na Hungria, e é hoje professor de Sociologia na University of Kent, em Canterbury. Filhos de uma família que emigrou para o Canadá, Furedi passou depois a residir no Reino Unido, onde desenvolveu boa parte de sua carreira acadêmica. Tornou-se conhecido por analisar, com olhar crítico, os efeitos sociais de fenômenos como a cultura do medo e a hiperproteção.
Entre suas obras mais difundidas estão Culture of Fear (1997) e Paranoid Parenting (2001). Em italiano, foram traduzidos títulos como Il nuovo conformismo (Feltrinelli, 2005), Che fine hanno fatto gli intellettuali? I filistei del XXI secolo (Raffaello Cortina, 2007) e Fatica sprecata. Perché la scuola oggi non funziona (V&P, 2012). Esses livros sustentam uma leitura consistente: a de que a sociedade contemporânea se encontra obcecada por segurança e que a amplificação do medo corrói a autonomia dos indivíduos.
Furedi investiga múltiplos campos — da educação à política, passando pelas relações entre pais e filhos — e aponta, entre outras coisas, o declínio dos padrões acadêmicos e a infantilização dos estudantes como consequência de políticas que priorizam uma inclusão formal em detrimento do mérito. Para ele, mecanismos institucionais de proteção excessiva e uma cultura da desconfiança comprometem o vínculo natural entre adultos e crianças, tornando as gerações mais dependentes e menos capazes de julgar riscos.
Outra linha constante em seu trabalho é a defesa intransigente da liberdade de expressão. Contra o que chama de politicamente correto e a cancel culture, Furedi atuou nos anos 1990 em campanhas a favor da liberdade de fala e, desde então, tem denunciado um processo de “empobrecimento cultural” (dumbing down) que, segundo ele, tem sido incentivado por decisões políticas e administrativas nas universidades e na esfera pública.
Ao escolher um trecho de Furedi para a prova de Maturità, os examinadores ofereceram aos estudantes não apenas um texto para análise, mas uma janela para discutir questões centrais do nosso tempo: como equilibrar proteção e autonomia, como preservar o critério e o esforço no ensino, e de que modo as sociedades podem voltar a traçar fronteiras — simbólicas e práticas — que deem forma ao sentido coletivo.
Como curadora de histórias que iluminam caminhos, vejo nesta escolha um convite a semear reflexão: é um chamado para cultivar valores que favoreçam o pensamento crítico e a responsabilidade, enquanto se constrói um horizonte límpido para as próximas gerações. Em tempos de incerteza, reaprender a traçar limites pode ser, paradoxalmente, o gesto que nos devolve liberdade.