Pais de escola no centro de Gênova mobilizam-se após retirada de faixa antirracista pela polícia

Pais da escola Daneo, em Gênova, mobilizam-se após polícia retirar faixa antirracista feita por crianças; ato marcado e pedido de transparência à Questura.

Pais de escola no centro de Gênova mobilizam-se após retirada de faixa antirracista pela polícia

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Pais de escola no centro de Gênova mobilizam-se após retirada de faixa antirracista pela polícia

Por Aurora Bellini, Espresso Italia

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No coração histórico de Gênova, a comunidade escolar da escola Daneo acende uma nova frente de diálogo público após a retirada, pela polícia, de um banner produzido por crianças e docentes com a palavra de ordem: antirracista.

A associação de pais da instituição lançou um apelo online convocando um ato público na próxima segunda‑feira de manhã, na Praça da Meridiana, a poucos passos da primária. O objetivo, escrevem os responsáveis, é "dar uma primeira resposta ao ocorrido e organizar futuras mobilizações" — um gesto que pretende iluminar caminhos de defesa do ambiente escolar como espaço de convivência e inclusão.

O pano arrancado pelos agentes continha a frase "Qui nessun* è stranier*", apresentada em várias línguas, um trabalho coletivo criado por crianças e professoras. Em reação, a comunidade propõe também que se pendurem faixas nas janelas das casas e dos edifícios em solidariedade à escola, reafirmando o princípio consagrado no artigo 34 da Constituição italiana: "a escola é aberta a todos".

O episódio ocorre num momento político sensível, marcado pela aprovação do chamado "decreto escola" pelo Governo, que visa regular a proporção de alunos estrangeiros nas turmas — tema que já havia acendido debates sobre integração, políticas públicas e a missão pedagógica das escolas.

Segundo a Questura de Gênova, que abriu apurações internas, a ação teria sido desencadeada por uma comunicação da central operacional da polícia local e classificada como iniciativa autônoma dos agentes. Dois policiais à paisana foram os responsáveis por retirar o telão no pátio da escola.

Francesca Pastore, advogada e presidente da associação de pais, protocolou oficio à Questura solicitando "um relatório imediato sobre a execução" da intervenção policial, bem como a "cópia do dispositivo autorizativo e o respectivo auto das operações realizadas". A solicitação busca transparência e a garantia de que atos institucionais não comprometam o espaço educativo sem justificativas formais.

Enquanto os contornos legais ainda se desenham, a mobilização dos familiares traduz uma resposta social que busca semear respeito e cultivar valores de convivência. É uma energia cívica que ilumina o debate: como proteger o direito à educação e ao mesmo tempo responder às preocupações administrativas e de segurança?

Em tempos em que a luz das políticas públicas projeta sombras sobre a vida das escolas, a iniciativa da comunidade da escola Daneo revela a força simbólica de gestos simples — uma faixa, uma expressão artística feita por crianças — e lembra que as escolas são faróis para um futuro plural. A convocação para a praça é, portanto, também um chamado para tecer laços sociais e mostrar que a defesa do ambiente escolar é, acima de tudo, uma aposta no horizonte límpido das próximas gerações.

Atualizaremos a reportagem à medida que a Questura e as autoridades escolares se pronunciarem.

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