Cinco teses da LUMSA para uma paz 'desarmada e disarmante': economia, diplomacia e educação em foco
LUMSA apresenta cinco teses para uma paz desarmada: economia, diplomacia, não violência, controle tecnológico e educação como serviço público.
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Cinco teses da LUMSA para uma paz 'desarmada e disarmante': economia, diplomacia e educação em foco
Ao fim de um ano de trabalho, o Laboratório de Ateneo para a Doutrina Social da Igreja da LUMSA apresenta um documento estruturado em cinco teses que aspiram a uma paz desarmada, humilde e perseverante. Não se trata de um manifesto inflamatório, mas de um conjunto de compromissos práticos: interpretar pobreza e desigualdades, fortalecer diplomacia e direito internacional, praticar reconciliação e não violência, proteger liberdade e democracia do uso manipulador das tecnologias, e transformar a formação universitária em serviço concreto à paz.
Coordenado por Giuseppe Notarstefano e Rocco Pezzimenti, o documento é o balanço do primeiro ano do laboratório. Os coordenadores o descrevem como um exercício de realismo cristão — ver, julgar, agir — e como resposta à iniciativa Magnifica Humanitas de Leone XIV, que convoca as universidades a integrar saberes diante da revolução digital. A linguagem do texto é propositalmente operacional: traça um perimetro de ação, não um panfleto.
As cinco teses funcionam como pilares de uma arquitetura social que pretende operar na interface entre ética, política e técnica — como se cada proposta fosse um pilar sobre o qual assenta uma infraestrutura de paz. Em síntese:
- Economia que não lucra com a guerra: a primeira tese reclama mecanismos econômicos e regulatórios para impedir que mercados e cadeias produtivas prosperem às custas dos conflitos.
- Efetividade do direito internacional: a segunda tese pede instrumentos capazes de tornar executórias as decisões das instituições internacionais — uma camada de aplicação para o arcabouço jurídico global.
- Redução de radicalismos e polarizações: a terceira visa a mediação social e educativa para atenuar extremismos, fortalecendo práticas de reconciliação.
- Controle humano sobre decisões automatizadas: a quarta coloca o princípio do controle humano no centro das escolhas acionadas por algoritmos e sistemas automatizados — proteger a democracia diante da automação.
- Universidade como serviço de paz: a quinta atribui à universidade o papel de traduzir conhecimento em ação pública efetiva, combinando formação e compromisso social.
Na carta dirigida ao reitor Francesco Bonini, monsenhor Paolo Rudelli, substituto para os Assuntos Gerais da Secretaria de Estado, destacou a atualidade urgente do tema e esperou frutos concretos para a comunidade civil e científica. Bonini, ao encerrar os trabalhos, defendeu que o texto seja amplamente divulgado entre as universidades católicas e pontifícias e avaliou que o debate poderia até integrar o próximo processo eleitoral italiano, que descreveu como «di pessima qualità».
O calendário de desdobramentos já está definido: em 29 de outubro haverá um encontro entre as universidades romanas no Laterano ligado à Magnifica Humanitas, e em 2 de dezembro, na LUMSA, discutir-se-ão temas centrais como paz, cooperação e migração. Esses eventos funcionam como nós de uma rede onde o conhecimento deve conectar-se à ação — como o sistema nervoso de uma cidade que precisa transformar informação em decisão.
Da perspectiva de infraestrutura digital e social, as teses propõem uma arquitetura de camadas: regras econômicas e jurídicas, protocolos de responsabilidade tecnológica, práticas educativas e mecanismos de mediação social. É uma proposta que exige tradução técnica e política: transformar princípios em instrumentos executáveis, com indicadores e padrões que possam alimentar o fluxo de decisões públicas. Em outras palavras, projetos de paz que funcionem como infraestrutura — discretos, resilientes, e essenciais.

