Iacono (Hera): 'Transição é investimento estratégico para a competitividade do país'
Iacono (Hera) defende que investir em eficiência e resiliência de infraestruturas é responsabilidade e alavanca de competitividade para o país.
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Iacono (Hera): 'Transição é investimento estratégico para a competitividade do país'
Por Stella Ferrari — Em entrevista ao Espresso Italia, diretamente do Ecomondo na Feira de Rimini, Orazio Iacono, CEO do Grupo Hera, reafirmou que a transição energética e ambiental não são apenas imperativos industriais, mas também um investimento essencial para a competitividade do país. “Investir na eficiência e na resiliência das infraestruturas, além de ser uma necessidade industrial, é uma responsabilidade para com as comunidades”, disse Iacono ao vivo, lembrando que a exposição segue até 6 de novembro.
Na minha leitura, como estrategista que acompanha o motor da economia, a posição de Iacono sintetiza uma calibragem necessária entre política pública e iniciativa privada: os investimentos em infraestrutura funcionam como a aceleração de tendências que permite às empresas e territórios se adaptarem a choques climáticos e a novos padrões de consumo.
Iacono destacou que as infraestruturas são um pilar determinante para a qualidade de vida, para a performance das empresas e para o desenvolvimento sustentável dos territórios. Para um player integrado como a Hera — que opera nos setores de serviços energéticos, ambientais e hídricos — os investimentos são a alavanca que transforma desafios contemporâneos em oportunidades de crescimento.
Ele citou exemplos práticos: redes hídricas cada vez mais resilientes para enfrentar eventos meteorológicos extremos; redes elétricas modernas e inteligentes que permitam a necessária eletrificação da economia; e instalações tecnológicas avançadas que dão escala à economia circular, convertendo resíduos em matéria-prima e energia. “Nós estamos acelerando: temos um plano industrial até 2029 que prevê um programa ambicioso de 5,5 bilhões, dos quais 3 bilhões são investimentos de desenvolvimento”, afirmou o executivo.
Essa estratégia corporativa reverbera num contexto macro: ao investir em infraestrutura e tecnologia, o setor privado reduz custos de operação, aumenta a confiabilidade dos serviços e diminui riscos sistêmicos — elementos que, no agregado, elevam a competitividade nacional. Em outras palavras, não se trata apenas de cumprir metas ambientais, mas de desenhar um novo padrão de produtividade.
Do ponto de vista de governança e mercado, a mensagem é clara e alinhada com o que defendo em mesas de conselho: é preciso manter os freios fiscais calibrados, mas sem travar a aceleração dos investimentos produtivos. Políticas públicas bem desenhadas — que facilitem a execução de projetos e reduzam incertezas regulatórias — são tão críticas quanto o capital privado que hoje se dispõe a apostar em infraestrutura verde.
Em Rimini, durante o Ecomondo, a narrativa de Iacono deixa evidente que a transição é uma estratégia competitiva, uma arquitetura de longo prazo que vincula sustentabilidade e valor. Para players e gestores, o imperativo é claro: transformar visão em projeto e projeto em execução, com a precisão de engenharia que o desafio exige.
Stella Ferrari é economista sênior e estrategista para investimentos e desenvolvimento, representante editorial da Espresso Italia.

