Estudo Cerm: maior previsibilidade no payback é essencial para sustentar investimentos e inovação no setor farmacêutico
Estudo Cerm: o peso do payback eleva o Effective tax rate e ameaça investimentos em inovação; maior previsibilidade é necessária para o setor farmacêutico.
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Estudo Cerm: maior previsibilidade no payback é essencial para sustentar investimentos e inovação no setor farmacêutico
Por Giulliano Martini, Espresso Italia — Em Latina, durante o evento '50 anni di futuro: Italian Health&Care Forum', foi divulgado um estudo da Fundação Cerm – Competitività, regole, mercati que coloca em evidência um efeito pouco debatido, mas estrutural: o peso crescente do mecanismo de payback sobre a sustentabilidade econômica das empresas farmacêuticas e sua capacidade de financiar investimentos em inovação.
O relatório, apresentado no encontro que marcou os 50 anos da Johnson & Johnson na Itália, analisa com método e dados como um instrumento concebido originalmente como medida extraordinária passou, ao longo dos anos, a ocupar um papel permanente no balanço das empresas. O diagnóstico do Cerm é claro: a prática afeta a previsibilidade e reduz a capacidade de programar aportes de longo prazo em pesquisa, desenvolvimento e produção — elementos essenciais para a competitividade do país e para garantir aos pacientes acesso oportuno a terapias inovadoras.
O Fórum reuniu representante de alto nível das instituições, da indústria, da comunidade científica e das associações de pacientes. Houve participação institucional expressiva, com mensagem do presidente do Conselho de Ministros, Giorgia Meloni, e intervenções de Orazio Schillaci (ministro da Saúde), Valentino Valentini (vice-ministro das Empresas e do Made in Italy), os subsecretários Marcello Gemmato e Claudio Durigon, além do presidente da Comissão Finanças do Senado, Massimo Garavaglia, entre outros líderes locais e nacionais.
No plano técnico, o Cerm recorre ao indicador Effective tax rate (Etr) para dimensionar o impacto conjunto da fiscalidade e do payback sobre a rentabilidade das empresas. Os resultados indicam um aumento substancial: no conjunto da amostra, o Etr sobe de 25,6% para 61,2% ao se considerar o efeito do payback sobre os acquisti diretti (compras diretas). Para as Pmi, o efeito é ainda mais dramático, com o Etr alcançando faixas entre 82,1% e 86,8%.
Estes números traduzem, segundo os autores, uma compressão severa da margem operacional disponível para reinvestimento. Em termos práticos, empresas com menor escala podem ver-se forçadas a rever cronogramas de projetos, adiar investimentos em linhas de produção ou em pesquisa translacional, e reduzir iniciativas de desenvolvimento que demandam horizonte temporal longo.
O estudo não se limita ao diagnóstico: destaca também a necessidade de maior previsibilidade regulatória sobre o mecanismo de payback. Uma regra estável e transparente é apresentada como condição para restaurar a confiança das empresas na possibilidade de planejar gastos de capital e operacionais voltados à inovação. Sem essa previsibilidade, alertam os especialistas, o risco é que a Itália perca atratividade frente a outros polos de pesquisa e produção.
O debate em Latina sinalizou convergência sobre a importância de conciliar sustentabilidade orçamentária do sistema de saúde com um quadro que permita às empresas farmacêuticas manter investimentos em inovação. Em síntese: a solução reclamada pelo estudo passa por calibrar mecanismos de contenção de custo sem sacrificar a previsibilidade necessária ao ecossistema industrial.
Os dados do Cerm abrem um raio-x do cotidiano do setor farmacêutico italiano: mostram como instrumentos tributários e de ajuste de mercado, quando não desenhados com horizonte plurianual, podem gerar efeitos colaterais que atingem diretamente a capacidade do país de inovar, produzir e garantir acesso a terapias de ponta. A leitura técnica e as propostas apresentadas no evento deverão agora ser objeto de cruzamento de fontes institucional e debate legislativo.
Contato e apuração: presença em Latina, cruzamento de dados do estudo Cerm e registros das intervenções institucionais no Fórum. A realidade traduzida: medidas extraordinárias, se mantidas no tempo sem previsibilidade, tornam-se entraves estruturais aos investimentos e à inovação.

