Conte e o M5S: reforma do Reddito di cittadinanza entra na mesa do 'campo largo'
Conte anuncia revisão do Reddito di cittadinanza no campo largo e debate patrimonial proposto pela Alleanza Verdi Sinistra.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Conte e o M5S: reforma do Reddito di cittadinanza entra na mesa do 'campo largo'
Giuseppe Borgo, para Espresso Italia — Ao chegar à apresentação do livro L’internazionale della Terra, Giuseppe Conte deixou clara a intenção do Movimento 5 Stelle: o Reddito di cittadinanza volta a figurar entre as propostas do chamado campo largo. Segundo o ex-primeiro‑ministro, trata‑se de uma versão renovada do instrumento social, pensada para ser mais eficaz na proteção dos que realmente vivem em situação de privação.
"O rendimento precisa ser absolutamente revisto para que seja realmente útil para quem está em dificuldade" — afirmou Conte, sinalizando que as propostas do M5S são parte de um pacote amplo de medidas de redistribuição. "Temos propostas muito articuladas e reavaliadas à luz da experiência acumulada aqui; vamos levá‑las para debate nos tavoli (mesas de trabalho)", completou.
O líder do M5S também destacou que o instrumento não foi eliminado, mas renomeado pelo governo atual: o que era o Reddito di cittadinanza passou a se chamar assegno di inclusione. Conte acusou a gestão de Roma de ter operado uma manobra fiscal sobre os mais pobres para “fazer caixa” em benefício de grandes atores econômicos — "colossi delle armi", empresas energéticas, bancos e seguradoras — e criticou a alteração de nome promovida pela primeira‑ministra Giorgia Meloni como um gesto que não resolveu as desigualdades estruturais.
Na formulação do M5S, porém, o ponto central é a eficácia: revogar símbolos não basta; é preciso reconstruir os alicerces do dispositivo para que o benefício cumpra a função social declarada — uma verdadeira construção de direitos que derrube barreiras burocráticas e chegue àqueles que mais precisam.
Além do tema do rendimento mínimo, o campo largo discute também a hipótese de uma patrimoniale (imposto sobre grandes fortunas), proposta de forma mais incisiva pela Alleanza Verdi Sinistra (AVS). Conte comentou que a questão será tratada nas mesas técnicas já em funcionamento, com representantes do M5S reunindo‑se para trabalhar as propostas durante a semana.
O debate sobre a patrimoniale ganhou ontem espaço nas declarações de Nicola Fratoianni, líder da AVS, ao jornal Repubblica. Fratoianni defende que a tributação das grandes fortunas é inevitável e afirma que tratar o tema como um tabu por medo eleitoral é incoerente com o apoio popular detectado em sondagens. A proposta citada por Fratoianni segue o modelo da Oxfam, que prevê tributação sobre patrimônios líquidos superiores a 5,4 milhões de euros — um universo reduzido, de cerca de 50 mil italianos, equivalente a 0,1% da população.
Em síntese, o que se desenha no campo largo é uma tentativa de erguer uma ponte entre diagnósticos e soluções concretas: revisitar o Reddito di cittadinanza (ou seu sucessor nominal, o assegno di inclusione) e avaliar instrumentos de justiça fiscal como a patrimoniale fazem parte dos alicerces que os partidos pretendem discutir. A agenda será construída nos tavoli, onde o peso da caneta decidirá não apenas nomes, mas o alcance real da proteção social para os mais vulneráveis.

