Urso: Sustentabilidade é agora uma questão industrial e geopolítica, diz ministro em Ecomondo
Urso afirma em Ecomondo que a sustentabilidade virou questão industrial e geopolítica; destaca Porto Marghera, sucata e non-papers à UE.
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Urso: Sustentabilidade é agora uma questão industrial e geopolítica, diz ministro em Ecomondo
Em mensagem em vídeo gravada para a conferência Ecomondo, o ministro das Empresas e do made in Italy, Adolfo Urso, reforçou que a sustentabilidade deixou de ser apenas um tema ambiental e tornou-se uma questão explicitamente industrial e geopolítica. Segundo o ministro, na competição global por matérias-primas críticas, energia e tecnologias, quem controla recursos estratégicos mantém a chave do futuro produtivo nacional.
Urso argumentou que a Itália parte de uma posição vantajosa: é uma das grandes economias manufatureiras do mundo e ocupa o segundo lugar na Europa em termos de circularidade. O país possui empresas, de diferentes portes, capazes de transformar matéria-prima em produto — inclusive a partir de resíduos —, sustentando a cadeia do valor como um motor da economia. Ainda assim, alertou o ministro, cerca de metade dos materiais processados pelas empresas italianas ainda vem do exterior, expondo a indústria a riscos externos.
Como resposta estratégica, afirmou Urso, o governo transformou a circularidade em política industrial, com atenção particular às matérias-primas críticas. Entre os projetos de maior relevância está o distrito nacional para reciclagem e refino em Porto Marghera, hoje candidato a abrigar um dos primeiros hubs europeus de armazenamento estratégico dessas matérias. É uma iniciativa que busca reduzir a dependência e desenhar um novo mapa logístico e estratégico para a indústria nacional.
Outra frente prioritária, destacou o ministro, é a ação sobre a sucata — o rottame ferroso — insumo central da siderurgia elétrica, o coração do aço italiano e a via mais rápida para a descarbonização do setor. Urso observou que a Europa exporta milhões de toneladas de sucata para países concorrentes, enquanto a Itália importa cerca de um terço do seu consumo. Para enfrentar essa vulnerabilidade, Roma, em conjunto com a Polônia, apresentou à Comissão Europeia um non-paper propondo medidas destinadas a garantir o abastecimento de sucata no continente, incluindo limites à exportação.
Complementarmente, foi apresentado um segundo non-paper sobre os resíduos eletrônicos, com a proposta de reter e reciclar esses fluxos dentro da Europa. Urso sublinhou a importância de conquistar o apoio de outras grandes capitais europeias e de consolidar uma política energética e industrial comum no bloco — sinalizando que a próxima frente de reformas decisivas passa por Bruxelas.
Na voz de uma estrategista que lê o mapa econômico com a precisão de um instrumento de medição, Urso deixou claro que trata-se de calibrar políticas — como se ajustasse a calibragem de juros e os freios de um veículo de grande porte — para garantir aceleração onde é preciso e robustez onde houver riscos. A mensagem foi prática: a sustentabilidade é hoje parte do desenho industrial e do posicionamento geopolítico, e o sucesso dependerá da capacidade de transformar recursos em vantagem competitiva.

