Celentano critica prova do GF Vip: “Disgustoso esse jogo de boca em boca”

Adriano Celentano critica no Instagram prova do Grande Fratello Vip e chama de 'jogo mais SPORCO possível' por passagens boca a boca.

Celentano critica prova do GF Vip: “Disgustoso esse jogo de boca em boca”

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Celentano critica prova do GF Vip: “Disgustoso esse jogo de boca em boca”

Por Chiara Lombardi — Observadora cultural para Espresso Italia.

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Em um comentário direto e pungente feito pelo Instagram, Adriano Celentano — o icônico “Molleggiato” — manifestou repúdio a uma prova exibida no Grande Fratello Vip. O artista, que raramente se envolve em noticiário televisivo cotidiano, disse ter se deparado com a cena enquanto zapeava canais e definiu aquilo como “o jogo mais SPORCO possível”.

Segundo a mensagem publicada pelo cantor, a sequência começava com concorrentes reunidos em torno de uma mesa e prosseguia com um mecanismo de desempenho corporal: sem utilizar as mãos, os participantes teriam que passar um balão cheio d’água de boca em boca. Depois veio uma cebola que fazia lacrimejar, seguida por uma mozzarella, tudo, segundo Celentano, “imbebido pela saliva” dos competidores — uma imagem que, para ele, traduzia um limite ultrapassado na busca por audiência.

Celentano não poupou críticas também à emissora, atribuindo ao grupo Mediaset a imposição de um formato que força os participantes a se expor e a submeter o corpo a provas que ele considera degradantes. A mensagem ecoa um debate mais amplo: até que ponto o entretenimento televisivo pode explorar a corporalidade e o desconforto em nome do espetáculo?

Como analista cultural, encontro nessa reação um espelho do nosso tempo — o reality show como um roteiro oculto da sociedade contemporânea, em que a busca por autenticidade e emoção muitas vezes se mistura com uma economia da humilhação. A sequência descrita por Celentano funciona como uma pequena narrativa simbólica: o balão de água e a mozzarella tornam-se objetos de uma semiótica do viral, em que a proximidade física, a saliva e o contato direto são convertidos em conteúdo partilhável.

Não se trata apenas de moralismo: há questões éticas sobre consentimento, higiene, imagem pública e responsabilidade editorial. Programas de grande audiência modelam comportamentos e normalizam limites — transformando situações privadas em performances públicas. A crítica de um nome tão respeitado quanto Adriano Celentano reacende a discussão sobre onde traçamos a linha entre entreter e explorar.

O episódio também nos leva a pensar no papel do espectador. Assistimos não apenas por curiosidade, mas porque o formato nos convida a uma posição de julgamento e cumplicidade. Ao apontar o que considera “disgustoso”, Celentano não faz só uma censura estética: ele questiona a linguagem do espetáculo contemporâneo e a ética das emissoras que a produzem.

Em tempos de feed e clipe curto, a imagem do alimento passado boca a boca — impresso e partilhado — tem força simbólica. E como toda boa cena cinematográfica, ela nos pede que perguntemos: qual é o roteiro que estamos aceitando como público? Ou melhor: que roteiro estamos ajudando a escrever?

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