Morre Nicole Taylor, voz do duo Taylor Red, aos 35 anos: “Agora não sofre mais”
Morre Nicole Taylor, do duo Taylor Red, aos 35 anos. Irmãs anunciam luta contra câncer de mama e dizem: “Agora ela não sofre mais”.
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Morre Nicole Taylor, voz do duo Taylor Red, aos 35 anos: “Agora não sofre mais”
Por Chiara Lombardi — O mundo da música country perde uma voz jovem que já tinha se tornado reflexo de resiliência. A cantora Nicole Taylor, integrante do duo Taylor Red, morreu aos 35 anos, conforme anunciaram as irmãs e parceiras de palco, Nikae e Natalie Taylor, em vídeos publicados no Instagram e no TikTok na segunda-feira, 2 de novembro.
O comunicado das irmãs, carregado de emoção, revelou que Nicole recebeu o diagnóstico de câncer de mama em estágio terminal em 2022. “Pensávamos sinceramente que ela ficaria curada, mas agora está curada no Paraíso”, disseram, evocando uma esperança que os tratamentos por vezes lograram manter e, por fim, uma despedida serena. As irmãs lembraram que o tumor era agressivo, e que Nicole enfrentou a doença “sem medo”.
Há nessa narrativa algo do roteiro oculto da vida pública: uma artista que, mesmo diante do corpo em luta, segue moldando sua própria imagem — praticando CrossFit até durante as sessões de quimioterapia, viajando, trabalhando, e procurando ainda se divertir. “Ela respondeu bem às terapias e chegou a ser dada como livre da doença”, disseram Nikae e Natalie, antes de relatar o posterior agravamento que terminou por levar à perda.
As músicas do trio — conhecidas pelos singles “Country Money” e “Rent Free” — sempre transitaram entre o sentimental e o direto, uma semiótica que conversava com a tradição country e com o público jovem. O fim precoce de Nicole projeta uma sombra sobre esse catálogo: mais que a ausência de uma voz, há o silencio de uma trajetória interrompida, o que nos pede um olhar que vá além da notícia e busque entender o impacto cultural dessa perda.
As irmãs destacaram que Nicole “tentou não viver com medo, permaneceu cheia de esperança, viajou, procurou viver a vida”. Essa breve biografia em poucas frases é um microcinema emocional — a montagem dos últimos atos de alguém que decidiu não ceder ao papel de vítima. “Ela dizia ter encontrado muita paz e somos muito gratas por isso. Ainda estamos em choque, não esperávamos que acontecesse, mas sabemos que ela não sofre mais”, concluíram.
Para o público e para a cena country contemporânea, a morte de Nicole Taylor funciona como um espelho do nosso tempo: lida com a doença, a exposição pública, o cuidado coletivo e a maneira como as narrativas pessoais se entrelaçam ao repertório artístico. Resta agora aos fãs, colegas e à família conservar a obra e a memória de uma artista cuja luta e presença deixaram marcas indeléveis.
Que a narrativa de coragem que Nicole viveu — entre treinos, turnês e tratamentos — sirva como convite para olhar com mais atenção para questões de saúde, apoio emocional e a fragilidade inerente a qualquer trajetória artística. O legado musical das Taylor Red permanece, e com ele a lembrança de uma voz que, embora silenciada, ressoa no repertório e na memória de quem a ouviu.

