Tosca lança 'Esiste la vergogna?': videoclipe reúne vozes do jornalismo para perguntar ao Ocidente
Tosca lança 'Esiste la vergogna?', single político com videoclipe reunindo jornalistas italianos e provoca debate sobre guerras e indiferença.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Tosca lança 'Esiste la vergogna?': videoclipe reúne vozes do jornalismo para perguntar ao Ocidente
Por Chiara Lombardi — Com a elegância de quem observa o zeitgeist entre um café e uma estreia, Tosca regressa com um gesto artístico que não se contenta em entreter: questiona. O novo single Esiste la vergogna? surge como um ato de acusação contra as guerras, a indiferença e as responsabilidades do Ocidente, acompanhado por um videoclipe que transforma rostos do jornalismo italiano em testemunhas dessa indagação coletiva.
Disponível nas plataformas digitais, a canção — escrita em parceria com Giovanni Truppi, Gegè Telesforo e Michele Santoleri — não se esconde atrás de metáforas leves: fala de filhos mortos, cita a Palestina, a Ucrânia, a Nato e a Europa, e empurra o ouvinte para um refrão que reavalia termos como liberdade e justiça. No desfecho, o outro apelo martelante do outro traz palavras que ecoam como uma lista de acusações culturais e geopolíticas: "soldi", "armi", "genocidio", "petrolio", "paura", "morte", "fame" — antes da pergunta que dá título à faixa: "Ma esiste la vergogna?".
No plano musical, Tosca explora um território até então pouco visitado em sua trajetória: o universo do cantautorato encontra um rap slow e toques raggamuffin, com a participação de Mama Marjas e o coro infantil do Teatro dell'Opera di Roma, que amplia a sensação de coletividade. A produção artística é assinada por Joe Barbieri, que confere textura cinematográfica ao arranjo.
Mas é o videoclipe, dirigido por Stefano Ricco e filmado no Teatro Eduardo De Filippo, da Officina Pasolini, que transforma a música em um manifesto visual. Ao lado de Tosca aparecem Mama Marjas, Giovanni Truppi, Gegè Telesforo e Michele Santoleri. E, em uma escolha propositalmente simbólica, desfila uma verdadeira constelação do jornalismo italiano: Giovanna Botteri, Concita De Gregorio, Tiziana Ferrario, Peter Gomez, Valentina Petrini, Luca Sommi e Marco Travaglio, entre outros.
Essa presença coletiva não é casual: a artista explicou que convocou vozes do jornalismo para construir um espelho do nosso tempo — a imagem de quem observa, relata e, às vezes, denuncia. A peça quer provocar um reframe da realidade: se as imagens e as palavras do noticiário moldam nossa percepção, o que acontece quando quem informa se transforma em coro de questionamento?
Como era previsível, a iniciativa também gerou reações nas redes. A jornalista e escritora Soncini lançou uma provocação irônica: "Não é inteligência artificial" — uma observação seca que circulou como contraponto à solenidade do projeto. A tensão entre arte engajada e crítica pública revela o roteiro oculto das discussões contemporâneas, onde estética, ética e política se cruzam.
Ao final, Esiste la vergogna? funciona menos como resposta e mais como convocação: uma pergunta artística que quer despertar um senso de responsabilidade coletiva. Em tempos de imagens abundantes e silêncios coniventes, Tosca entrega um trabalho que age como um espelho do nosso tempo, convidando o público a olhar para além do entretenimento e a sentir o peso das escolhas políticas e morais.

