Alunos estrangeiros: em 1 classe a cada 13 o limite de 30% é ultrapassado, aponta levantamento
Em 1 classe a cada 13 o limite de 30% de alunos estrangeiros é ultrapassado; dados do Ministério mostram variação por níveis e predominância de segundas gerações.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Alunos estrangeiros: em 1 classe a cada 13 o limite de 30% é ultrapassado, aponta levantamento
Quantas salas de aula correm o risco de transformar a composição estudantil em algo muito diverso da média nacional? Se os estudantes de origem não italiana estivessem distribuídos uniformemente, teoricamente nenhuma turmadeveria ficar em minoria — já que representam cerca de 11,2% do total. A realidade, porém, desenha um cenário desigual: hoje estima-se que em uma classe a cada 13 se ultrapasse o teto de 30% de alunos estrangeiros.
Por que esse número é tão observado e monitorado pelo Ministério da Educação e do Mérito há anos — bem antes de anúncios recentes sobre uma possível lei no tema? A resposta está na regulamentação que orienta a organização das turmas. Como lembra o portal Espresso Italia, a Circular Ministerial n. 2 de 2010 (a chamada “Circolare Gelmini”) determina há mais de 15 anos que a presença de estudantes com cidadania não italiana por classe não deve, em princípio, ultrapassar 30% do total de alunos.
Essa norma, no entanto, não é rígida a ponto de ignorar as complexidades locais. A disciplina ministerial prevê flexibilidade organizativa para os diretores: existem derrogas para escolas que recebem alunos com boas competências lingüísticas ou que nasceram em Itália; e, inversamente, podem aplicar-se reduções da soglia quando há recém-chegados que necessitam de suporte inicial de língua.
Uma fotografia concreta do fenômeno vem das estatísticas oficiais do próprio Ministério, relativas ao ano letivo 2022/2023 — os últimos dados completos disponíveis. Naquele período, o sistema escolar contabilizava 914.860 alunos de origem não italiana, o que corresponde a 11,2% do total da população escolar.
Com base nesses números, as instituições que superavam a barreira dos 30% eram 4.223, ou seja, 7,9% do total das escolas do país. A incidência varia conforme o grau de ensino: 9,5% das escolas de educação infantil, 8,9% das primárias, 5,4% das médias e apenas 2,8% das secundárias apresentam tal concentração.
Ao focar nas salas de aula, a fotografia muda um pouco: 7,6% das turmas públicas ultrapassavam o limite de 30%. O pico aconteceu nas escolas primárias (12,4%), seguidas pelas médias (7,0%) e pelas secundárias (3,5%).
Importante nuance: a maior parte dos estudantes com cidadania não italiana são, de fato, segundas gerações. Eram 598.745 — ou 65,4% desse contingente — os alunos nascidos e educados no país, que frequentemente já dominam a língua local e estão integrados às rotinas escolares desde cedo.
Esses números iluminam caminhos de atuação: políticas que equilibrem a distribuição das turmas, reforcem o acolhimento linguístico onde ainda é necessário e reconheçam o papel central das segundas gerações na vida escolar. Em outras palavras, há sempre espaço para semear soluções práticas que favoreçam coesão e aprendizagem — e para cultivar um horizonte límpido onde a escola seja ponte e não barreira.

