Mel Gibson inicia filmagens de 'The Resurrection' na Puglia e Basilicata: Gravina vira set do novo kolossal

Mel Gibson retoma 'The Resurrection' e filma em Gravina; Matera, Craco, Pisticci, Ginosa e Torre Guaceto entre as locações confirmadas para 2027.

Mel Gibson inicia filmagens de 'The Resurrection' na Puglia e Basilicata: Gravina vira set do novo kolossal

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Mel Gibson inicia filmagens de 'The Resurrection' na Puglia e Basilicata: Gravina vira set do novo kolossal

As filmagens do novo épico de Mel Gibson, The Resurrection (também referido como sequência de The Passion of the Christ), recomeçaram em solo italiano e já imprimem seu eco cultural nas paisagens do sul. A produção, prevista para sair em duas partes em 2027, voltou a montar cenários em Gravina, na Puglia, onde foram escolhidos trechos cenográficos de grande efeito: a gravina, o ponte-acqueduto e o planalto da Madonna della Stella — locais que servirão de quadro para sequências com figurantes e vilarejos.

O elenco reúne nomes internacionais e italianos. No papel de Jesus está o finlandês Jaakko Ohtonen; Riccardo Scamarcio interpreta Pôncio Pilatos; Mariela Garriga vive Maria Madalena e Kasia Smutniak assume a figura da Virgem Maria. A escolha desses intérpretes reafirma a vocação transnacional do projeto, que mistura referências históricas, fé popular e estética grandiosa — um verdadeiro espelho do nosso tempo que projeta memórias religiosas sobre o cenário contemporâneo.

Os mesmos lugares de Gravina já haviam atraído olhares de cineastas como Cary Fukunaga — que filmou cenas de No Time to Die com Daniel Craig — e Matteo Garrone para Pinocchio. A presença contínua desses sets confirma o potencial pictórico da região: penhascos, pontes e planícies que funcionam como um roteiro visual, um reframe da paisagem em função da narrativa.

A produção permanece em Gravina nos próximos dias. Uma portaria do comando de Polícia local, solicitada pela produtora Tea Time Film srl, restringe o acesso às áreas ocupadas até 14 de abril — cenário comum quando se trata de grandes produções: set blindado, logística intensa e pouco contato público com o diretor. Segundo apurações locais, há movimentações de equipe e infraestrutura entre Basilicata e Puglia, com itinerários que incluem tanto Gravina quanto outras localidades.

Inicialmente, estava previsto que em 20 de abril a equipe gravasse em Matera, no parque rupestre e natural da Murgia materana — onde já houve trabalhos em fevereiro —, mas essa data foi adiada. Vale lembrar que Matera foi a Jerusalém de The Passion of the Christ (2004), o filme que originou este novo capítulo de Gibson; portanto, a ausência de Matera no cronograma atual, se confirmada, evitaria o bis de locais já usados.

Estão confirmados, porém, pontos lucanos clássicos: o “paese fantasma” Craco (onde, no primeiro filme, foi rodada a cena do enforcamento de Judas) e os cânions dos calanchi de Pisticci. Na Puglia, além de Gravina, a rota de filmagem inclui Ginosa (Taranto) e a oásis de Torre Guaceto (Brindisi). Essa geografia de sets reforça a semiótica do filme — cada localidade como um fragmento de memória capaz de ressignificar narrativas milenares.

Enquanto o set permanece selado e Mel Gibson evita aproximações públicas, a repercussão local já traz expectativas culturais e turísticas. O retorno de Gibson ao tema que marcou a sua carreira propõe-se menos como mera recriação histórica e mais como um espelho cinematográfico do roteiro oculto da sociedade contemporânea: fé, política e mito se entrelaçam no cenário de transformação que são as paisagens do sul da Itália.