Orsato limita intervenções do VAR: “Menos moviola em campo, mais futebol”

Orsato limita o VAR: intervenções só para erros claros, reduzindo a 'moviola em campo' e ajustando designações de árbitros como Guida e Maresca.

Orsato limita intervenções do VAR: “Menos moviola em campo, mais futebol”

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Orsato limita intervenções do VAR: “Menos moviola em campo, mais futebol”

Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — A partir deste verão, a arbitragem italiana adotou uma orientação clara: reduzir a quantidade de revisões do VAR e impedir a chamada "moviola em campo". A nova linha, implementada por Daniele Orsato após assumir em julho o cargo de designatore da Can para Serie A e B, prevê intervenções apenas em caso de erro claro e evidente, excluindo revisões contínuas por episódios duvidosos ou por aqueles pequenos pênaltis frequentemente apelidados de "rigorini".

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Nas primeiras cinco jornadas do campeonato, a inversão de rota já se mostrou evidente: lances antes passíveis de inúmeras interrupções têm sido tratados com maior tolerância, devolvendo ao jogo um ritmo e uma espontaneidade que parte da torcida e dos clubes vinha reclamando. Orsato, porém, foi cuidadoso ao descartar uma qualquer aversão à tecnologia: "Eu não odiava o VAR — disse ele durante um encontro formativo com a imprensa no centro de VAR de Lissone —, na verdade, eu tinha o Irrati, que é o melhor do mundo. Pretendo apenas compreensão para com os mais jovens e não existe um 'protocolo Orsato'.

Orsato afirmou ainda que, concordando com o diretor técnico, seguirá neste rumo até 30 de maio: "Não é jamais passado pela cabeça de ninguém de não usar o VAR e de não apitar as faltas, mas se havia algo em falta era o jogo como espetáculo, tínhamos chegado ao ponto em que não era mais futebol". A frase, simples, contém uma decisão de ordem cultural: trata-se de reencontrar o equilíbrio entre justiça esportiva e natureza do jogo.

Além da filosofia sobre o uso do vídeo, Orsato respondeu a questões práticas sobre a designação de árbitros. Referindo-se aos dois árbitros campanos que, em passado recente, declararam receios em apitar o Napoli por motivos de segurança — Marco Guida e Fabio Maresca — o designador explicou a solução pragmática adotada: "Guida voltará a apitar o Napoli? Muito em breve, porque é da seção de Torre Annunziata. Maresca será mais difícil, porque eu gostaria de evitar árbitros da mesma seção das equipes". Guida já atuou este ano como quarto árbitro em Napoli-Como, sinalizando uma reaproximação gradual.

Orsato trouxe outros exemplos para ilustrar o critério de seções e proximidades: Daniele Doveri, de Roma, dificilmente receberá jogos da Roma ou da Lazio; por outro lado, Marinelli, de Tivoli, pode ser designado, assim como Simone Sozza, de Seregno, que tem condições de apitar partidas de Milan e Inter. Essas escolhas mostram que, além da técnica, a arbitragem na Itália continua marcada por logística, percepção de segurança e pelo princípio da imparcialidade regional.

Como analista, entendo a medida de Orsato como uma tentativa deliberada de recolocar o futebol em seu lugar: a tecnologia permanece como instrumento de correção, não como protagonista. Em contextos históricos e culturais — em que o futebol italiano é visceralmente ligado às identidades locais e às memórias coletivas —, a decisão de reduzir intervenções repetitivas do VAR busca restaurar o ritmo do jogo e evitar que a partida se torne uma sucessão de análises. Resta ver, nas próximas semanas, se o equilíbrio entre justiça e jogo será mantido ou se pressões externas (clubes, mídia, torcedores) empurrarão a arbitragem de volta ao hipercontrole.

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