Joan Collins, 93 anos de charme: diva atemporal rouba a cena no red carpet de Cannes

Joan Collins, aos 93, rouba a cena em Cannes com elegância atemporal e reafirma seu lugar como ícone de estilo e voz feminista.

Joan Collins, 93 anos de charme: diva atemporal rouba a cena no red carpet de Cannes

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Joan Collins, 93 anos de charme: diva atemporal rouba a cena no red carpet de Cannes

Por Chiara Lombardi — Em uma noite que misturou memória e espetáculo, Joan Collins reapareceu no red carpet da abertura do Festival de Cannes em 2026 e, com elegante despojamento, confirmou o que o público já sabia: o glamour pode ser também um dispositivo de resistência cultural. A atriz chegou engalanada, com joias discretas, um vestido branco — seu tom de eleição — e o clássico batom vermelho que há décadas assina sua imagem pública.

Completará 93 anos em 23 de maio, mas no tapete vermelho Joan caminhou com a mesma presença dramática da personagem que a consagrou nos anos 80. Foi Alexis Colby Currington em Dynasty que plantou em muitas culturas a ideia de uma mulher poderosa e ambígua, capaz de ditar pautas estéticas e sociais. A surpresa da noite de Cannes não foi apenas ver a atriz — foi perceber como a cena refletia, em alta definição, um roteiro oculto da nossa relação com o tempo, a memória e a imagem.

Dame Joan Henrietta Collins nasceu em Londres em 23 de maio de 1933, filha do agente teatral Joseph Collins e de Elsa, professora de dança. Começou no palco muito cedo — aos nove anos já estava em cena na Casa de Bonecas de Ibsen — e, pouco depois, cruzou o Atlântico para tentar a sorte em Hollywood. Assinou contrato com a 20th Century Fox e apareceu em filmes como I Believe in You (1952) e La regina delle piramidi (1955), construindo uma carreira que mescla cinema clássico e televisão popular.

No red carpet, sem paetês e com minimalismo calculado, Joan mostrou que a elegância pode ser uma narrativa política. Sempre franca, ela gosta de se autodeclarar uma das primeiras feministas — «Sou uma das primeiras feministas» — e sua história confirma essa leitura. Além de encarnar papéis sedutores e estratégicos, teve relacionamentos notórios com nomes como Warren Beatty e Harry Belafonte, contracenou com Richard Burton e Paul Newman e, na vida pessoal, passou por cinco casamentos. Tudo parte de um arquivo de escolhas que a transformou em ícone.

O que chama atenção, mais do que o figurino ou as joias, é a energia: a capacidade de continuar impondo-se numa indústria que celebra a novidade ao passo que consome e descarta. Joan não foi descartada; ela reelabora sua presença. No cenário de transformação que é Cannes, sua aparição funcionou como espelho do nosso tempo — uma prova de que certas figuras conseguem narrar décadas e, ao mesmo tempo, ressignificá-las.

Essa reapropriação da imagem não é apenas nostalgia. É um reframe da realidade em que a memória coletiva se encontra com a atualidade do olhar. A diva dos anos 80, que ensinou ao público a estética de Alexis Colby, reaparece como autoridade de estilo e voz crítica, lembrando que o glamour também é discurso, e que a moda pode ser leitura social.

Na saída, fotógrafos e espectadores ainda discutiam o impacto: não era só sobre os olhos que brilhavam por causa das joias, mas sobre como uma trajetória inteira pode subverter expectativas e reescrever o que queremos ver no espelho do nosso tempo. Em Cannes, portanto, Joan Collins não apenas desfilou — ela convocou uma conversa sobre identidade, memória e poder.

Foto por Lucia Sabatelli

12 de maio de 2026 (atualizado em 13 de maio de 2026 | 15:40)