Met Gala 2026 em Nova York: festa da moda entre glamour, milhões e polêmicas com Bezos

Met Gala 2026 em Nova York: glamour, patrocínio de Bezos, protestos e boicotes marcam o evento do Costume Institute.

Met Gala 2026 em Nova York: festa da moda entre glamour, milhões e polêmicas com Bezos

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Met Gala 2026 em Nova York: festa da moda entre glamour, milhões e polêmicas com Bezos

Noite de gala no Metropolitan Museum of Art: acende-se hoje a 79ª edição do Met Gala, o grande evento beneficente que desde 1948 financia o Costume Institute e dita tendências. O tema deste ano é "Costume Art" e o dress code — enunciado como um manifesto — é "Fashion is Art". Chamado por muitos de "Super Bowl da moda", o gala transforma os figurinos das celebridades em virais que reverberam no guarda-roupa global.

Com 450 convidados e convites negociados a cifras estratosféricas — chegado-se a relatos de até 75 mil dólares por ingresso — a noite reafirma sua natureza híbrida: ao mesmo tempo leilão de glamour e máquina de arrecadação. A cerimônia começa às 18h ET (meia-noite na Itália) e será transmitida ao vivo pelo canal do Vogue no YouTube.

À frente do ritual está a indissociável Anna Wintour, ex-diretora da Vogue America e arquiteta cultural cuja figura inspirou O Diabo Veste Prada. Co-presidindo este ano, nomes que misturam música, cinema e esportes: a popstar Beyoncé, a atriz Nicole Kidman e a tenista Venus Williams. No pódio criativo, compartilham função Anthony Vaccarello (Saint Laurent) e Zoë Kravitz, enquanto o comitê reúne vozes como Adut Akech, Angela Bassett e Sabrina Carpenter.

Mas o tapete vermelho chega acompanhado de controvérsia. Os presidentes honorários deste Met Gala são Jeff Bezos e Lauren Sánchez — casal que se casou em Veneza em 2025 — e, segundo fontes, figuram entre os principais patrocinadores, ao lado de Saint Laurent e Condé Nast, com um aporte estimado em torno de 10 milhões de dólares. A presença desses nomes reacende um debate já conhecido: até que ponto o poder dos mega-ricos deve influenciar as instituições culturais?

Em Nova York, o eco da discordância ganhou forma física: cartazes contrários a Bezos espalham-se pela cidade e, segundo relatos de ativistas, foram encontradas dentro do museu centenas de frascos contendo urina com a imagem de Bezos impressa — um gesto de denúncia às condições de trabalho na Amazon, onde trabalhadores teriam sido forçados a urinar em recipientes para não interromper a produção. A imagem é chocante e funciona como um espelho do nosso tempo, um reframe simbólico do atrito entre cultura, capital e dignidade laboral.

O boicote de artistas e figuras públicas compõe outro capítulo da narrativa. Entre as ausências mais notórias está Meryl Streep, capa da edição de maio da Vogue pelo papel de Miranda Priestly em O Diabo Veste Prada, que teria recusado até o papel de co-apresentadora devido ao envolvimento de Bezos e Sánchez. Também confirmaram ausência nomes como Zohran Mamdani, rompendo a tradição de representantes políticos de Nova York no evento, e a atriz Zendaya.

O Met Gala de 2026, portanto, se desenha como mais do que um desfile de looks opulentos: é um palco onde moda, poder e responsabilidade social entram em colisão. Mais do que fotos para os álbuns, a noite traduz um roteiro oculto da sociedade — o momento em que a cultura festiva é forçada a encarar sua relação com o dinheiro e com quem o administra. Para quem observa de fora, resta decifrar não apenas o que se veste, mas o porquê de certas presenças serem celebradas ou contestadas.