Insucesso em Islamabad: 21 horas de negociações entre EUA e Irã sem acordo; Putin se oferece como mediador e Trump ameaça novas tarifas à China

Negociações EUA‑Irã em Islamabad terminam sem acordo após 21 horas; Putin propõe mediação e Trump ameaça tarifas à China. Veículos UNIFIL italianos atingidos.

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Insucesso em Islamabad: 21 horas de negociações entre EUA e Irã sem acordo; Putin se oferece como mediador e Trump ameaça novas tarifas à China

Por Marco Severini — Em um movimento que lembra uma jogada cautelosa no centro do tabuleiro diplomático, o vice‑presidente norte‑americano JD Vance concluiu em Islamabad um ciclo de conversações de alto nível com delegados iranianos que durou cerca de 21 horas. Apesar das discussões extenuantes, os encontros — mediados pelo Paquistão e marcados por um histórico rosto a rosto do vice‑presidente com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf — não produziram um acordo.

Na síntese pública após as negociações, Vance afirmou que houve "discussões substanciais", mas que a parte americana não obteve o compromisso explícito desejado: a renúncia a qualquer esforço para obter uma arma nuclear nem a procura por meios que acelerem essa capacidade. "Deixamos este encontro com uma proposta muito simples: precisam entender que esta é a nossa oferta final e melhor", disse o vice‑presidente, acrescentando que não detalharia publicamente o conteúdo negociado após tanto tempo de conversas privadas.

Do lado iraniano, a resposta foi imediata e firme nas redes oficiais. Esmaeil Baqaei, porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores, ressaltou que o sucesso do processo diplomático depende da "boa vontade da outra parte", da abstenção de excessos e do reconhecimento dos "direitos e interesses legítimos do Irã". A mídia estatal iraniana IRIB, por meio de um comunicado no Telegram, informou que a delegação iraniana manteve negociações contínuas e intensas, mas que pedidos considerados "irracionais" por parte americana impediram progresso, levando ao encerramento das conversas.

Segundo Teerã, as prioridades centrais incluem a suspensão dos ataques contra o Líbano e a revogação de sanções, enquanto as forças dos Pasdaran (IRGC) reafirmam que não aceitarão ingerência no estreito que considera vital — uma referência implícita ao estreito de Hormuz, eixo estratégico e ponto sensível na tectônica regional.

Enquanto a diplomacia direta entre Washington e Teerã estaciona, o palco internacional registra outros movimentos: o presidente russo Vladimir Putin ofereceu‑se como mediador, propondo mais uma peça no cenário de mediação multilateral; e o ex‑presidente Donald Trump voltou a ameaçar a imposição de novas tarifas sobre a China, sugerindo um endurecimento das frentes econômicas que também influenciam equilíbrios de poder globais.

Em paralelo, um episódio de segurança na margem sul do Líbano chamou atenção: veículos da missão UNIFIL foram acertados por um tanque israelense. Fontes informadas confirmam que os meios atingidos pertenciam ao contingente italiano da força de paz da ONU. A própria UNIFIL denunciou no X que, em duas ocasiões naquele dia, seus veículos foram atingidos, fato que adiciona uma camada imediata de tensão e risco para as forças de estabilização em terreno volátil.

Neste ponto do jogo, as cartas permanecem nas mãos dos atores centrais: Washington aposta em garantias explícitas quanto ao programa nuclear iraniano; Teerã exige reconhecimento de suas demandas estratégicas e alívio das sanções; e mediadores e terceiros atores, de Moscou a Islamabad, tentam redesenhar fronteiras invisíveis de confiança. A estabilidade regional continua dependente de movimentos calculados — e de pedras angulares diplomáticas ainda frágeis.