Irã reage a Trump: estabilidade em risco e aliança global contra sanções econômicas
Irã acusa Trump de criar insegurança nuclear; tensão aumenta com declarações de líder religioso israelense e bombardeios que usam projéteis de fósforo.
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Irã reage a Trump: estabilidade em risco e aliança global contra sanções econômicas
Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, em linhas finas, a tectônica de poder no Oriente Médio, o secretário-geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohsen Rezaei, acusou diretamente o ex-presidente Trump de ter provocado uma onda de insegurança nuclear global. À agência catariana Al Jazeera, citando a agência iraniana Tasnim, Rezaei afirmou que a conduta norte-americana "aumentou o desejo de todo o mundo de adquirir armas nucleares" ao demonstrar que a adesão à Agência Internacional de Energia Atômica e ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) não impediu ataques por parte dos Estados Unidos.
Na observação do líder iraniano, que segue uma linha narrativa de Estado, a política de Trump "criou insegurança nuclear em vez de segurança nuclear". Rezaei enfatizou que o Irã cumpriu todas as salvaguardas internacionais, aceitou inspeções e se mantém formalmente comprometido com o TNP, posicionando-se — segundo suas palavras — "à frente" em comparação com outros Estados no respeito às normas nucleares.
Em tom de advertência estratégica, o Irã declarou que considera "inimigo" qualquer país que se associe à "guerra econômica" liderada por Washington. "Qualquer país que participe da imposição de restrições econômicas contra o Irã é considerado um inimigo", disse Rezaei, convocando os Estados vizinhos e a comunidade internacional a não se aliar à escalada sancionatória anunciada pelos EUA, que intensificaram medidas para aumentar a pressão sobre Teerã.
Simultaneamente ao confronto diplomático, a retórica sectária e as tensões militares se acirram na região. O rabino-chefe sefardita de Israel, David Yosef, proferiu declarações publicadas pela Al Jazeera — cujo vídeo foi disponibilizado online — nas quais negou que os palestinos constituam um povo com direitos e reivindicou Gaza e cidades da Cisjordânia para os judeus, chegando a invocar a destruição de Gaza e a colonização judaica.
No terreno, a violência aumentou nas primeiras horas, com uma intensa onda de bombardeios de artilharia e ataques aéreos israelenses no sul do Líbano. Relatos citados por Al Jazeera e pela agência oficial libanesa indicam o uso de projéteis de fósforo em múltiplas áreas do distrito de Tiro e de Bint Jbeil, além de ataques que atingiram bairros residenciais, zonas boscosas e locais próximos a Doha Kafr Rumman, Tell al-Dabsha e Harj Ali al-Taher, na periferia de Nabatieh. A mensagem é clara: o tabuleiro militar está em movimento, com riscos de contágio além das linhas convencionais.
Do ponto de vista geoestratégico, estas declarações e operações constituem movimentos simultâneos em vários flancos — diplomático, ideológico e militar — que podem reconfigurar alianças e percepções de segurança regional. A conjunção entre sanções econômicas, retórica religiosa extremada e emprego de munições controversas como o fósforo cria uma arquitetura frágil cuja próxima jogada determinará se a crise se conterá em crises localizadas ou evoluirá para um redesenho mais amplo das fronteiras de influência no Oriente Médio.
Enquanto as capitais ponderam respostas, a comunidade internacional observa uma escalada cujo custo humanitário e estratégico pode ser pesado. Em termos práticos, a prioridade urgente é evitar que a disputa econômica e as provocações verbais se convertam em um ciclo autoalimentado de violência que ultrapasse as atuais linhas de frente.

