Khamenei ferido, porém ativo: nova liderança iraniana participa por audioconferência durante negociações indiretas com os EUA

Mojtaba Khamenei, ferido no ataque de 28/2, recupera-se e participa por audioconferência das negociações indiretas com os EUA; cenário afeta equilíbrio regional.

Khamenei ferido, porém ativo: nova liderança iraniana participa por audioconferência durante negociações indiretas com os EUA

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Khamenei ferido, porém ativo: nova liderança iraniana participa por audioconferência durante negociações indiretas com os EUA

Por Marco Severini — No delicado tabuleiro geopolítico que envolve Teerã, Washington e aliados regionais, a nova face do poder iraniano parece confrontar simultaneamente fragilidade física e continuidade decisória. Fontes confiáveis indicam que Mojtaba Khamenei, que assumiu a chefia suprema após o ataque de 28 de fevereiro, segue em processo de recuperação de ferimentos graves sofridos nesse raid israeliano, mas se mantém mentalmente lúcido e ativo nos centros de decisão do país.

Segundo relatos de inteligência e fontes próximas ao círculo restrito de poder, o líder supremo de 56 anos sofreu ferimentos extensos no rosto e nos membros inferiores, a ponto de ficar desfigurado e, conforme algumas avaliações, ter perdido uma perna. Apesar dessa condição, informações convergentes apontam que ele tem participado, por meio de audioconferência, de reuniões estratégicas que tocam guerra, diplomacia e as negociações indiretas com os Estados Unidos.

O desenho das conversações ressoa como um movimento cuidado no xadrez diplomático: as delegações dos EUA e do Irã deverão inicialmente encontrar-se separadamente com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, antes de iniciar os contatos indiretos propriamente ditos. Fontes oficiais de Teerã confirmam que a delegação iraniana é numerosa — cerca de 71 integrantes — e indica a determinação de manter peso nas negociações. Em Brasília de ideias e nos corredores do poder, o deputado e figura política Ghalibaf sintetizou a postura nacional: “Haverá acordo se Trump estiver realmente pronto”.

Do lado norte-americano, a agenda inclui pedidos claros, entre eles a provável solicitação de libertação de presos iranianos detidos nos Estados Unidos. O próprio ex-presidente Trump chegou a afirmar, em tom ríspido, que os “iranianos estão vivos apenas para negociar”, enquanto o vice-presidente J.D. Vance advertiu que os Estados Unidos “não aceitarão ser enganados” nas conversas.

Há ainda avaliações conflitantes sobre o estado de saúde mais imediato de Khamenei. Relatórios de inteligência de Washington e Tel Aviv chegaram a descrever uma condição de inconsciência e tratamento em Qom. Outras fontes, mais próximas ao palácio, reafirmam que o líder recupera-se e que imagens oficiais poderiam ser divulgadas dentro de um a dois meses, abrindo a possibilidade de uma aparição pública controlada.

Do ponto de vista estratégico, esse episódio realça a tectônica de poder no Oriente Médio: um redesenho de fronteiras invisíveis onde a continuidade institucional se sobrepõe às vulnerabilidades físicas de um líder, e onde os alicerces da diplomacia são testados a cada movimento. A participação por audioconferência revela uma adaptação tática — como uma torre deslocando-se numa fileira de peças — que preserva a autoridade do comando enquanto se negocia a estabilidade regional.

Em suma, ainda que fisicamente fragilizado, Mojtaba Khamenei parece manter a centralidade decisória em Teerã. A evolução de sua condição médica, a eventual exibição pública e o andamento das conversações indiretas em solo paquistanês serão indicadores cruciais para a próxima fase desse jogo diplomático, cuja consequência poderá redesenhar alinhamentos estratégicos e influências na região.