Trump desafia aliados: 'Vão ao Estreito de Hormuz e tomem o petróleo'

Trump desafia aliados a 'tomar' petróleo no Estreito de Hormuz; Irã propõe pedágio e proíbe passagem a EUA e Israel.

Trump desafia aliados: 'Vão ao Estreito de Hormuz e tomem o petróleo'

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Trump desafia aliados: 'Vão ao Estreito de Hormuz e tomem o petróleo'

Por Marco Severini — Em um novo gesto de ruptura nas relações transatlânticas, o presidente Donald Trump dirigiu-se com tom cortante aos aliados ocidentais, afirmando que, caso não tenham apoiado os Estados Unidos na campanha contra o Irã, devem "ir ao Estreito de Hormuz e tomarem o seu petróleo". A mensagem, postada na rede Truth, é mais do que uma provocação retórica: é um movimento calculado no tabuleiro geopolítico que expõe fragilidades na coalizão atlântica.

Trump reclamou, em especial, do Reino Unido e da França, acusando-os de não terem intervindo militarmente ao lado de Washington na operação que resultou na chamada "decapitação" de um elemento iraniano de alto perfil. "Vocês terão de aprender a combater sozinhos", disse, acrescentando que os Estados Unidos não estarão mais sempre prontos a socorrer países que, segundo ele, não estiveram ao lado norte-americano.

Ao mesmo tempo em que as palavras de Washington reverberam, Teerã avança em contramovimentos institucionais. A comissão de Assuntos Exteriores e Segurança Nacional do parlamento iraniano aprovou um texto que institui um sistema de gestão do Estreito de Hormuz, com a escopo de fortalecer a soberania iraniana sobre a passagem estratégica. Entre os oito pontos centrais do projeto, conforme reportado pela imprensa local, figuram:

  • medidas de segurança reforçadas para o estreito;
  • normas para garantir a navegação segura das embarcações;
  • questões ambientais e proteção do ecossistema marinho;
  • implementação de um sistema de pedágio cobrado em rial para atravessia;
  • proibição de passagem para navios dos Estados Unidos e de Israel;
  • fortalecimento do papel soberano do Irã nas decisões militares na região;
  • cooperação com o Omã para estabelecer enquadramento jurídico conjunto;
  • restrições a países que aderem a sanções unilaterais contra Teerã.

O projeto, porém, ainda não é lei: precisará ser votado em plenário, examinado pelo Conselho dos Guardiões e sancionado pelo presidente para entrar em vigor. Ainda assim, trata-se de um redesenho de fronteiras invisíveis na governança marítima do Golfo Pérsico — um sinal claro da tectônica de poder que está se movendo na região.

Paralelamente, a imprensa iraniana informou que um dos sistemas de dessalinização da ilha de Kish foi danificado por um bombardeio. O ataque teria deixado a instalação fora de serviço, com reparos a médio prazo considerados inviáveis, o que eleva o custo humano e logístico de qualquer escalada. A vulnerabilidade de infraestruturas críticas empilha mais riscos sobre rotas vitais de comércio e energia.

O cenário descrito é, em suma, um momento de redefinição: a retórica pública de Washington convive com iniciativas legislativas de Teerã que podem transformar o Estreito de Hormuz num ponto de estrangulamento formalizado. Para os aliados europeus, especialmente a França e o Reino Unido, há aqui um aviso estratégico — e uma oportunidade para recalibrar compromissos militares e diplomáticos. No tabuleiro global, cada movimento exige cálculo frio; os alicerces frágeis da diplomacia estão sendo testados, e o próximo lance poderá reconfigurar linhas de influência no Golfo por anos.