Trump diz que acordo com o Irã está 'muito próximo' e Teerã aceitaria entregar urânio enriquecido
Trump afirma que acordo com o Irã está 'muito próximo' e Teerã aceitaria entregar urânio enriquecido, enquanto negociações avançam sob mediação do Paquistão.
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Trump diz que acordo com o Irã está 'muito próximo' e Teerã aceitaria entregar urânio enriquecido
Por Marco Severini — Em movimento que pode redesenhar um delicado segmento do tabuleiro de poder no Oriente Médio, o presidente americano afirmou aos jornalistas que os Estados Unidos estão "muito próximos" de concluir um acordo com o Irã. Segundo Donald Trump, Teerã estaria disposto a se livrar de estoques de urânio enriquecido, uma das exigências centrais de Washington para qualquer pacto de contenção nuclear.
O mandatário americano acrescentou que consideraria deslocar-se ao Paquistão, que atua como mediador, caso o acordo se materialize. "Existem ótimas possibilidades de que alcancemos um acordo", afirmou, acrescentando que os iranianos "aceitaram nos devolver o pó nuclear" — expressão que Trump tem usado para se referir às reservas de urânio enriquecido. A República Islâmica, por sua vez, ainda não confirmou essa informação.
As negociações entre Estados Unidos e Irã prosseguem sob a égide do Paquistão, numa tentativa de organizar uma segunda rodada de conversações após o insucesso do primeiro encontro realizado em Islamabad no último fim de semana. O objetivo declarado é encerrar de forma definitiva o conflito que vem alterando a estabilidade regional.
O poderoso chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, esteve em Teerã na quinta-feira para encontros institucionais, incluindo reuniões com o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, figura considerada interlocutor chave por parte iraniana. Essas movimentações diplomáticas são a expressão mais visível de um esforço regional para compor os alicerces de uma saída negociada.
O conflito, que se intensificou desde a ofensiva lançada em 28 de fevereiro e já produziu milhares de mortos — sobretudo no Irã e no Líbano — continua a abalar economias globais. Um cessar-fogo está em vigor desde 8 de abril e o mundo aguarda ao menos uma prorrogação de duas semanas; entretanto, ainda não foi marcada "nenhuma data" para um segundo ciclo de negociações, conforme declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores paquistanês.
No plano marítimo, o Irã mantém medidas de bloqueio no Estreito de Ormuz. Em resposta, Washington impôs, a partir de segunda-feira, restrições sobre navios provenientes ou com destino a portos iranianos, uma escalada que eleva o risco de interrupções no comércio marítimo.
O tom das declarações públicas refletiu também ameaças explícitas. Comentários de um influente comentarista conservador americano, Pete Hegseth, reforçaram a linha dura de setores que advogam sanções e ações contra infraestruturas energéticas iranianas caso Teerã «faça a escolha errada» — advertências que, no entanto, não substituem canais formais de negociação.
Do lado iraniano, a retórica inclui a ameaça de fechar rotas adicionais, como o Mar Vermelho, mas mantém espaço para o diálogo. O embaixador do Irã junto às Nações Unidas se declarou "cautelosamente otimista" quanto ao avanço das conversações e esperou "resultados significativos".
Em síntese, assistimos a um movimento decisivo no tabuleiro diplomático: peças se recolocam, mediadores ampliam sua influência e pontos-chave — sobretudo a gestão do urânio enriquecido e a segurança das rotas marítimas — continuam a definir o alcance de um possível acordo. A estabilidade regional dependerá agora de sutis equações de confiança, verificação e garantias, componentes essenciais para transformar uma aproximação verbal em um acordo duradouro.