Zelensky acusa a Rússia de 'terrorismo nuclear' em Chernobyl; ataques com drones atingem refinaria e fábrica de fertilizantes na Rússia

No 40º aniversário de Chernobyl, Zelensky acusa a Rússia de 'terrorismo nuclear' enquanto drones ucranianos atingem refinaria e fábrica de fertilizantes na Rússia.

Zelensky acusa a Rússia de 'terrorismo nuclear' em Chernobyl; ataques com drones atingem refinaria e fábrica de fertilizantes na Rússia

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Zelensky acusa a Rússia de 'terrorismo nuclear' em Chernobyl; ataques com drones atingem refinaria e fábrica de fertilizantes na Rússia

Por Marco Severini — No 40º aniversário do desastre do reator de Chernobyl, o presidente Volodymyr Zelensky elevou o tom das denúncias: acusou a Rússia de praticar um verdadeiro terrorismo nuclear, ao manter operações militares que, segundo ele, colocam o mundo “novamente à beira de um desastre causado pelo homem”.

O líder ucraniano recordou que drones russos sobrevoam regularmente a zona de exclusão de Chernobyl, área que, há quatro décadas, simboliza os riscos de uma falha nuclear de larga escala. Zelensky enfatizou que o mundo não pode permitir a continuação desse tipo de ação e defendeu que a forma mais eficaz de frear esse risco é forçar a Rússia a cessar seus ataques imprudentes.

Em reação, Moscou devolveu as acusações com acusações próprias. O ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, retrucou afirmando que as tentativas de Zelensky de se posicionar como “defensor da Europa” terminarão mal, chegando a qualificar o governo ucraniano, sem evidências independentes aqui detalhadas, como um regime “abertamente nazista” e responsabilizando-o por proibir manifestações da cultura russa e da Igreja Ortodoxa canônica. Lavrov também afirmou que Zelensky almeja liderar uma nova entidade militar europeia em formação, interpretação que desenha, no linguajar diplomático, um movimento destinado a reorganizar alinhamentos estratégicos no continente.

Enquanto os discursos circulam pelo tabuleiro diplomático, a guerra prossegue com intensidade. Confrontos e ataques entre Ucrânia e Rússia seguem acumulando danos materiais e riscos estratégicos. Em solo russo, drones ucranianos reivindicadamente atingiram dois complexos industriais de relevo.

Segundo o Estado‑Maior ucraniano, uma das ações atingiu a refinaria Yaroslavnefteorgsintez (Yanos), na região de Yaroslavl, uma das maiores refinarias do país, com capacidade aproximada de 15 milhões de toneladas de petróleo por ano. O ataque teria causado um incêndio de grande porte, acompanhado por fortes explosões e uma espessa coluna de fumaça, imagens dessas cenas foram divulgadas por residentes locais nas redes sociais.

Paralelamente, outro ataque teria mirado a filial de Cherepovets da JSC Apatit, na região de Vologda, apontada como o maior complexo de fertilizantes fosfatados da Europa. O governador regional, Georgy Filimonov, relatou danos a uma tubulação de ácido sulfúrico de alta pressão no complexo Ammonia‑3; não houve registros imediatos de incêndio e análises preliminares indicaram que os níveis de poluentes na atmosfera permaneceram dentro dos limites permitidos.

O conjunto desses eventos projeta uma imagem de tectônica de poder em movimento: de um lado, acusações que miram o perigo nuclear como vetor de intimidação; do outro, ataques a infraestruturas energéticas e químicas que reorganizam capacidades e vulnerabilidades industriais. Em termos de estratégia, trata‑se de um movimento decisivo no tabuleiro onde os alicerces frágeis da diplomacia competem com ações de dissuasão e custo.

Resta à comunidade internacional avaliar se adotará medidas concretas para desarmar, no front político e operacional, aquilo que Zelensky define como terrorismo nuclear, ou se permitirá que os vetores do conflito redesenhem fronteiras invisíveis de influência e risco.