Big Blue Festival 2024 em Portoscuso: quatro dias para colocar o mar no centro do bem comum
Big Blue Festival 2024 em Portoscuso: quatro dias de ciência, arte e educação para proteger os ecossistemas marinhos. Participe de oficinas e debates.
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Big Blue Festival 2024 em Portoscuso: quatro dias para colocar o mar no centro do bem comum
Por Aurora Bellini — Quando a luz do Mediterrâneo encontra ciência, arte e educação, surgem novos caminhos para cuidar do que nos sustenta. Entre os dias 27 e 30 de agosto, retorna a 11ª edição do Big Blue Festival, a ecofesta promovida por ArgoNautilus nas pedras e nos espaços da Antica Tonnara Su Pranu, em Portoscuso, no sul da Sardenha. Quatro dias dedicados a restituir ao mar seu papel de bem comum, iluminando relações entre ciência, cultura e participação cidadã.
Desde 2016, o Big Blue Festival tem semeado práticas que fazem do mar um sistema integrado: ecossistema, patrimônio cultural e recurso econômico. A proposta é clara — permitir que especialistas e público se encontrem para que o olhar sobre o degradação dos ecossistemas marinhos se transforme, cedo, em cuidado. "É preciso ensinar a ver antes que seja tarde", sintetiza Maurizio Cristella, biólogo e diretor artístico da kermesse.
A programação combina encontros, oficinas e exibições com entrada gratuita, pensadas para todas as idades. Na abertura, quinta-feira 27, o festival traz como foco "o mar como comunidade inesgotável": às 18h30, o Big Blue Lab, oficina de reciclagem criativa para crianças de 4 a 10 anos, mostra que a sustentabilidade é prática e gesto. Às 21h30, Edoardo Brodasca, diretor do Posidonia Green Project, apresenta o Posidonia Art Reef, um museu subaquático participativo realizado este ano em Bogliasco (Ligúria). A noite encerra às 22h30 com Stefano Vascotto e seu “Sagarmatha”, uma narrativa que conecta rotas históricas e as grandes explorações — um convite a compreender fronteiras entre terra e mar.
Sexta-feira 28 foca no olhar consciente sobre a imagem: à tarde, atividades infantis continuam com “Um mosaico com tampinhas de plástico”, oficina ao ar livre para crianças de 6 a 13 anos (18h30–20h30), que transforma resíduos em cor e sentido. Às 19h00, inaugura a mostra fotográfica “Meraviglie sotto il mare della Sardegna”, organizada por Subacquei per la Scienza, para celebrar a biodiversidade e o patrimônio submerso da ilha.
No sábado 29, o eixo é "Narrar a salvaguarda": as conversas e apresentações desta tarde reforçam o papel da comunicação e da participação na proteção costeira e marinha. Entre os convidados está Albano Salis, presidente da delegação Marevivo Sud Sardegna, figura atuante nas iniciativas locais de conservação — suas experiências ajudam a traduzir ação comunitária em impacto real.
A programação segue ao longo de domingo 30 com atividades que consolidam ciência, arte e educação como ferramentas de transformação. O Big Blue Festival é, antes de tudo, um espaço para que crianças, famílias, pesquisadores e cidadãos se encontrem e componham formas concretas de cuidado: mostrar problemas, celebrar soluções e fomentar comportamentos que preservem a vida marinha.
Ao promover esse encontro entre saberes, a iniciativa ilumina novos horizontes — não como promessa vazia, mas como prática tangível de responsabilidade compartilhada. PortoSuso vira palco, durante quatro dias, de um renascimento cultural que cultiva valores e planta alternativas. Para quem chega, há oficinas, debates, exposições e a possibilidade de testemunhar como a ciência e a arte podem, juntas, tecer laços de proteção com o mar.
Informações sobre inscrições para oficinas infantis e detalhes da programação podem ser obtidas junto aos organizadores do festival. Levar as crianças, os amigos e a curiosidade é contribuir para que o cuidado com o mar seja um gesto cotidiano — uma luz a guiar as próximas gerações.

