Sardenha: mais de 70 tartaruguinhas atraídas pelas luzes do restaurante são salvas por turistas
Na Sardenha, mais de 70 tartaruguinhas atraídas por luzes de restaurante foram resgatadas por turistas e soltas no mar; área segue monitorada.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Sardenha: mais de 70 tartaruguinhas atraídas pelas luzes do restaurante são salvas por turistas
Na costa sudeste da Sardenha, a noite se iluminou de preocupação e ternura quando uma ninhada de tartarugas recém-nascidas perdeu o rumo e seguiu, atraída, para as luzes de um quiosque à beira-mar. O episódio, que poderia ter terminado em tragédia, teve um desfecho de cuidado coletivo: mais de 70 filhotes foram recolhidos e libertados no mar graças à ação conjunta dos hóspedes do resort e da equipe de proteção ambiental.
O caso aconteceu perto do villaggio turistico Perdèpera, em Marina di Cardedu (Ogliastra). Vincenzo Ammendola, proprietário do local, conta que tudo começou pouco depois das 21h, quando um jovem percebeu uma pequena tartaruga caminhando pelo caminho que dá acesso ao quiosque-restaurante. A escuridão parcial e as luzes do estabelecimento confundiram as orientações naturais dos filhotes.
“Estávamos jantando quando notamos algo no chão. Ninguém sabia o que fazer, havia um certo pânico porque quase não se enxergava e tínhamos medo de pisá-las”, relata Ammendola. Em poucos minutos, famílias inteiras se mobilizaram: adultos consultaram informações online, enquanto as crianças, com delicadeza e encanto, passaram a recolher as pequenas criaturas e conduzi-las até a areia, onde seriam depositadas em direção ao mar. A cena, descrita por quem esteve presente, parecia uma fila de esperança — os filhotes seguiam a primeira que fazia o papel de guia, mas que havia tomado a direção errada.
Foram recolhidas mais de setenta tartaruguinhas, da espécie Caretta caretta, típica do Mediterrâneo e atualmente protegida por seu status vulnerável. As fêmeas dessa espécie costumam voltar às praias onde nasceram entre maio e agosto para enterrar seus ovos em áreas de areia pouco movimentadas. Ao nascer, medem apenas cerca de 4 a 6 centímetros — frágeis como pequenos faróis na areia.
Preocupados com o risco de atraírem ainda mais filhotes, os responsáveis pelo quiosque atenderam a uma orientação do Corpo Forestale e apagaram as luzes do local: a refeição continuou, então, à luz de velas. Por volta das 22h30 chegaram os agentes, que demarcaram e passaram a monitorar o trecho de praia onde as ninhadas eclodiram, uma medida preventiva importante porque outras ovos ainda podem nascer nas próximas horas.
Os agentes também auxiliaram no resgate final e acompanharam o esforço de uma tartaruguinha retardatária que, beneficiada pela escuridão, encontrou o caminho certo até a água. Crianças que participaram do socorro observaram emocionadas enquanto os pequenos mergulhavam e desapareciam no azul — um momento de conexão que iluminou a noite e semeou valores de proteção e responsabilidade.
Esse episódio é um lembrete de como ações humanas aparentemente simples — como a iluminação de um restaurante — podem impactar a vida marinha. Ao mesmo tempo, mostra o poder de uma comunidade atenta que, ao decidir cooperar, consegue salvar futuros navegadores do oceano. É uma narrativa de responsabilidade e renascimento cultural: ao apagar as luzes, iluminaram-se novos caminhos para essas vidas.
A área segue monitorada pelo Corpo Forestale, que orienta moradores e turistas sobre como proceder ao encontrar filhotes de tartaruga e reforça a importância de evitar iluminações que possam desorientá-las. Entre a cautela e a esperança, a noite na Sardenha terminou com um horizonte mais límpido para aqueles pequenos corpos que agora retomaram seu rumo natural.

