Tartaruga 'Francesca' é resgatada em Taranto após abandono; segue reabilitação no Oasi WWF
Tartaruga Caretta caretta abandonada em Taranto é resgatada e reabilitada no Oasi WWF Bosco Pantano; recupera peso e espera retorno ao mar.
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Tartaruga 'Francesca' é resgatada em Taranto após abandono; segue reabilitação no Oasi WWF
Por Aurora Bellini, Espresso Italia — Entre os arbustos da antiga estrada panorâmica da Circummarpiccolo, em Taranto, foi encontrada uma tartaruga-marinha da espécie Caretta caretta que havia sido abandonada: o episódio, ocorrido no dia 1º de agosto, só não terminou em tragédia graças à atenção de duas pessoas que passavam pelo local.
Segundo apuração da Espresso Italia, os transeuntes anotaram a placa do veículo — uma Dacia branca — que deixou o animal no local e acionaram imediatamente o Wwf de Taranto e a Capitaneria di Porto. Equipes dos Vigili del Fuoco (Corpo de Bombeiros) fizeram o resgate e levaram a fêmea para atendimento. Para homenagear a cidadã que deu o alarme, a tartaruga recebeu o nome de Francesca.
No momento do salvamento, Francesca apresentava sinais claros de desidratação e hipertermia, condições que, em poucos instantes sob o sol e longe do mar, teriam sido fatais. Encaminhada ao Oasi WWF Bosco Pantano de Policoro, a tartaruga iniciou um protocolo de reabilitação e exames clínicos. As equipes confirmaram que não havia presença de anzóis ou outros corpos estranhos em seu trato gastrointestinal e, após pouco mais de uma semana de cuidados, ela voltou a alimentar-se e a recuperar peso.
O Oasi Bosco Pantano, fundado em 1995, ocupa cerca de 21 hectares e abriga um conjunto estruturado de iniciativas de conservação: um ostello, um Centro de Recupero Animali Selvatici e Tartarughe Marine especializado no atendimento de animais presos em redes de pesca ou feridos por embarcações, um Centro Visite polivalente e um Centro de Educação Ambiental. O lugar protege um dos últimos remanescentes de bosques costeiros alagados do país e é um farol de biodiversidade na região.
O trecho costeiro ligado ao Oasi é local de reprodução da tartaruga-marinha comum e também abriga espécies sensíveis, como a lontra — classificada como de alto risco na Itália — e, esporadicamente, registros da foca-monaca. As dunas preservam espécies vegetais como o giglio di mare (lírio-do-mar), o cisto de Montpellier e o ginepro, enquanto mais de 170 espécies de aves usam a área como ponto de descanso e reprodução: garças, limícolas, rapinantes e uma variada comunidade de passeriformes, em especial durante as migrações.
Este caso é mais que um resgate: é a prova do que a vigilância cidadã e a rede de proteção ambiental podem conquistar quando atuam em sintonia. Em tempos nos quais o litoral é pressionado por atividades humanas, histórias como a de Francesca nos lembram da urgência de iluminar novos caminhos para a convivência entre comunidades e natureza — semeando soluções que permitam que cada animal volte ao seu habitat em segurança.
Para cada vida salva, há um trabalho cotidiano de profissionais, voluntários e cidadãos que despertam a atenção necessária. Se você testemunhar uma tartaruga ou outro animal marinho em risco, alerte imediatamente o serviço local de proteção ambiental ou a Capitania. Assim, juntos, podemos tecer laços que garantam um horizonte límpido para as próximas gerações.
Fotos: Corpo de Bombeiros e Silvia Morosi (cedidas à Espresso Italia).