Fim das gaiolas na criação para abate: 62 mil assinaturas entregues ao Senado na Itália
62 mil assinaturas entregues ao Senado pedem o fim das gaiolas na criação para abate; iniciativa da Essere Animali busca proibição nacional para proteger o bem-estar animal.
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Fim das gaiolas na criação para abate: 62 mil assinaturas entregues ao Senado na Itália
Por Aurora Bellini, para Espresso Italia — Uma onda de luz está aplainando um novo caminho pelo bem-estar dos animais: mais de 62 mil assinaturas foram oficialmente depositadas no Senado italiano para apoiar uma proposta de lei que vise o fim das gaiolas na criação de animais destinados ao abate. A mobilização, promovida pela organização Essere Animali, quer transformar em norma pública aquilo que milhões de cidadãos já consideram uma exigência ética e sanitária.
Os números que iluminam a urgência do tema são contundentes: na Itália, como em grande parte da Europa, são abatidos mais de 650 milhões de animais por ano (peixes excluídos). Deste total, mais de 40 milhões são criados em pequenas gaiolas onde não podem expressar comportamentos naturais essenciais — andar, aninhar, cavar, socializar.
Segundo levantamento associado à campanha, cerca de 600 mil porcas, 1,5 milhão de bezerros, 17,5 milhões de galinhas e 13 milhões de coelhos vivem confinados em espaços tão exíguos que isso provoca estresse crônico, frustração, lesões e fragilidade óssea. Esses problemas estão corroborados por pareceres científicos da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), que apontam a criação em gaiolas como um dos principais entraves ao bem-estar animal nos sistemas intensivos.
O movimento pela mudança começou formalmente em março, com a apresentação de uma proposta de lei de iniciativa popular que pede a proibição do uso de gaiolas para todas as espécies criadas para fins alimentares. A coleta de assinaturas, realizada na plataforma do Ministério da Justiça e encerrada em 14 de setembro, superou em tempo recorde o quorum exigido pela legislação italiana para que o texto seja levado ao Parlamento.
Metade de setembro marcou a entrega das assinaturas ao Senado; agora cabe à Comissão competente atribuir andamento ao processo legislativo e calendarizar os próximos passos. "Mais de 90% dos italianos apoiam o banimento da criação em gaiolas", explica Chiara Caprio, diretora de relações institucionais da Essere Animali, em entrevista à Espresso Italia. "Essa voz precisa ser ouvida. Diversos países europeus já avançaram — como Alemanha, Eslovênia e Reino Unido — com proibições ou sólidas limitações ao uso de gaiolas."
Há precedentes concretos: na Suécia o uso de gaiolas para porcas já é proibido, e outros países do continente estão adotando medidas para reduzir progressivamente práticas confinantes. A proposta italiana se insere, portanto, num movimento europeu mais amplo, que alia consideração ética a argumentos de saúde pública e sustentabilidade.
Enquanto a tramitação parlamentar se aproxima, a iniciativa revela um horizonte límpido: semear inovação legal para cultivar práticas de produção mais humanas é também investir em alimentos mais responsáveis e em cadeias produtivas mais resilientes. A transição exigirá diálogo com produtores, políticas de apoio e investimentos em alternativas — mas é um caminho iluminado por consenso público e por conhecimento científico.
Seja qual for o desfecho legislativo, a entrega das 62 mil assinaturas significa que a sociedade civil voltou a tecer laços de responsabilidade com o futuro. É momento de transformar compaixão em norma, conhecimento em ação, e construir um legado onde o respeito ao animal seja parte integrante do que entendemos por progresso.

