Comissão do Trabalho esvazia-se após ausência da ministra Calderone; oposição denuncia risco a contratos coletivos
Oposição abandona comissão após ausência da ministra Calderone; disputa sobre o decreto-lei que pode permitir 'contratos piratas' e afetar a contratação coletiva.
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Comissão do Trabalho esvazia-se após ausência da ministra Calderone; oposição denuncia risco a contratos coletivos
Por Giuseppe Borgo — Em um gesto de reprovação que revela fissuras na relação entre Governo e parlamento, os grupos do Partido Democrático (PD), do Movimento 5 Stelle (M5S) e da Alleanza Verdi e Sinistra (Avs) abandonaram, de forma conjunta, os trabalhos da 11ª Comissão Trabalho da Câmara. A decisão ocorreu após a não comparência da ministra Marina Calderone, convocada para dar esclarecimentos sobre o artigo contestado do decreto-lei 30 de abril de 2026, n. 62, apelidado de "decreto primo maggio".
Os líderes dos três grupos definiram como grave a escolha da ministra Calderone de não comparecer justamente no dia em que era aguardada para explicar a norma que, segundo a oposição, pode legitimar os chamados contratos piratas e enfraquecer a contratação coletiva. "É grave que a ministra não se apresente no dia em que deveria responder sobre uma norma que atinge a negociação coletiva e sobre a qual havia prometido atenção e aprofundamento", afirmaram os capigruppo à imprensa.
Além da ausência, a crítica principal é que o Governo não recuou em relação ao dispositivo que, na avaliação dos opositores, abre espaço para a legitimação de contratos piratas, favorece o dumping contratual e mina o papel dos acordos assinados pelas organizações mais representativas. Por isso decidiram, em bloco, abandonar a sessão: "Não participamos de uma pantomima", declararam.
O texto alvo da disputa, o decreto-lei n. 62/2026, entrou em vigor desde a sua publicação em 30 de abril, mas depende da conversão em lei pelo Parlamento dentro do prazo de 60 dias. A 11ª Comissão Trabalho recebeu o texto em 5 de maio e continua seu exame em caráter referente — etapa na qual a Câmara pode aprovar ou modificar o dispositivo.
O escopo do provvedimento toca salários, incentivos à ocupação e medidas contra o caporalato digital. O decreto afirma que a contratação coletiva é o instrumento para definir o "salário justo" e condiciona o acesso a benefícios públicos ao respeito ao tratamento econômico previsto pelos CCNL mais representativos. Impõe ainda a indicação do CCNL aplicado e da retribuição nas ofertas publicadas no SIISL, e confia ao CNEL e a outras instituições públicas a tarefa de monitoramento, recolha de dados e produção de um relatório nacional sobre remunerações.
Para o trabalho em plataformas digitais, o texto endurece obrigações informativas sobre atribuição de tarefas, remunerações e avaliações, prevê conservação e disponibilização dos dados às autoridades e introduz medidas contra o caporalato digital, apontando como ilícitos práticas como pagamentos abaixo dos mínimos contratuais, cargas desproporcionais e o uso organizado de contas de terceiros. Para os riders, solicita sistemas de identificação mais rigorosos e prevê sanções para a cessão de contas.
Várias medidas vinculam-se a tetos de despesa e ao monitoramento do INPS, que pode suspender novas solicitações quando o plafonamento financeiro estiver próximo do esgotamento. O impasse político, com a saída da oposição da comissão, transforma a tramitação em uma espécie de canteiro instável: é como se a arquitetura da lei estivesse sendo erguida sem a presença de todas as partes interessadas, pondo em risco os alicerces da proteção trabalhista.
Enquanto o Governo carrega o peso da caneta, a oposição exige respostas e recuos claros. A ausência da ministra e a crise instaurada na comissão colocam desde já em debate o futuro das negociações coletivas e a credibilidade do Parlamento na construção de direitos.