Cacciari critica o 'campo largo' após derrota em Veneza: 'Meu sobrinho Tommaso teria tirado mais votos que Martella'

Cacciari critica o 'campo largo' após derrota em Veneza e aponta falta de renovação no centro-esquerda; afluência caiu para cerca de 60,6%.

Cacciari critica o 'campo largo' após derrota em Veneza: 'Meu sobrinho Tommaso teria tirado mais votos que Martella'

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Cacciari critica o 'campo largo' após derrota em Veneza: 'Meu sobrinho Tommaso teria tirado mais votos que Martella'

Massimo Cacciari, filósofo nascido em Veneza, não poupou críticas ao chamado "campo largo" e ao candidato do centro-esquerda, Martella, após a vitória do centro-direita liderado por Simone Venturini nas eleições municipais. Em declaração incisiva, Cacciari destacou o impacto simbólico e prático da derrota na cidade que conhece como poucas.

"Pazzesco il crollo dell’affluenza a Venezia... E stupefacente è il distacco di Martella da Venturini, non era mai successo in passato... Mamma mia...", disse o filósofo, traduzindo em tom crítico o que muitos observadores chamam hoje de falha de estratégia do centrosinistra. Para Cacciari, a afluência — registrada em torno de 60,6%, em queda de cerca de cinco pontos percentuais em relação à última tornata — revela um desgaste profundo entre eleitores, especialmente entre os mais jovens.

O diagnóstico traçado por Cacciari remete a decisões passadas. Ele lembrou a escolha do partido em 2014, quando, segundo ele, em vez de apostar em lideranças locais mais novas, o centro-esquerda recorreu a figuras de perfil já conhecido, como Felice Casson, e acabou abrindo caminho para a ascensão de Brugnaro e do centro-direita. "Il discorso parte da lontano... Non è così che si crea entusiasmo tra gli elettori", observou, criticando a repetição de candidaturas que, no seu entender, não mobilizam.

Cacciari resumiu a emergência de um problema estrutural: a falta de renovação e de capacidade de construir pontes com a população jovem. "Martella è un giovane vecchio, un politico puro, una carriera da eterno numero 2...", afirmou, acrescentando a ironia que ilustra seu diagnóstico: "Mio nipote Tommaso, per dire, avrebbe preso più voti di Martella…" A frase, além de coloquial, funciona como alerta sobre a necessidade de alicerces novos na arquitetura do voto.

O resultado vem num quadro em que o centro-direita consolidou vitórias importantes — entre elas Veneza e Reggio Calabria — enquanto o centro-esquerda terá de repensar táticas e lideranças. O primeiro turno mostrou ainda que seis municípios seguem para o segundo turno nos dias 7 e 8 de junho, quando os eleitores decidirão o desfecho em cidades-chave.

Sobre a postura da primeira-ministra Giorgia Meloni, que não participou ativamente da campanha local em Veneza, Cacciari foi pragmático: "Perché è intelligente... Ha fatto benissimo a non farsi vedere" — um reconhecimento estratégico de que a intervenção nacional poderia ter pesado negativamente.

Como repórter atento às conexões entre decisões de Roma e a vida quotidiana nas cidades, observo que a lição de Veneza é dupla: há de um lado a metáfora da construção — é preciso renovar os alicerces das coalizões para que resistam às intempéries do desinteresse; de outro, a imagem da ponte: sem uma ligação sólida entre candidatos e comunidades locais, votos se perdem pelo caminho. O centro-esquerda tem agora a tarefa de reconstituir esses vínculos, derrubar as barreiras que afastam os jovens do voto e recuperar a capacidade de mobilizar a cidadania.