Calenda: Defender a liberdade — Europa em risco se ceder à inércia entre China e EUA
Calenda alerta que a Europa corre risco de inércia e ser comprimida entre China e EUA; dedica livro à Ucrânia e pede ação cidadã.
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Calenda: Defender a liberdade — Europa em risco se ceder à inércia entre China e EUA
Por Giuseppe Borgo — Em evento do ciclo "Roma da bere e da chiacchierare", Carlo Calenda apresentou seu livro Difendere la libertà, propondo um diagnóstico duro sobre a atual crise do Ocidente e uma chamada prática à ação europeia. Com a lucidez de quem observa a política como obra de arquitetura cívica, Calenda dedicou a obra aos ucranianos e afirmou que neles reside um sentimento que a Europa parece ter esquecido: o desejo de liberdade e a capacidade de autodeterminação dos povos.
Partindo da invasão russa da Ucrânia em 2022 — conflito que, nas palavras do autor, persiste em fases alternadas há quatro anos — o tom da apresentação oscilou entre pessimismo institucional e um fundo de esperança. "Estamos na pior fase em termos de senso de comunidade, mas a Europa continua sendo o melhor lugar para viver", disse Calenda, alinhando o alerta estratégico à urgência de recuperar os alicerces institucionais.
O líder de Azione desenhou o risco central em termos simples e contundentes: se a Europa permanecer em inércia, será esmagada entre os interesses dos EUA e a pressão comercial da China. "O que vai acontecer é que os EUA nos vão espremer completamente e a China nos vai invadir de mercadorias", declarou, acrescentando que a responsabilidade recai, em última instância, sobre os eleitores: se os cidadãos escolherem líderes guiados por celebridades e influenciadores, o continente corre o risco de se tornar vassalo de potências externas.
Na análise de Calenda, a ascensão de Donald Trump é um sintoma desse declínio ocidental, um reflexo da perda de sentido coletivo. Ao mesmo tempo, ele sinalizou múltiplos vetores de tensão global: a ambição russa, o desafio da contenção da China, e as pretensões neo-otomanas da Turquia de Erdogan. A resposta, segundo ele, passa pela diplomacia e por redes de cooperação que funcionem como pontes entre nações — uma "construção de direitos" capaz de reforçar a autonomia europeia.
O encontro também tocou na atualidade diplomática: a visita do primeiro‑ministro Modi à Itália foi citada como exemplo de que é preciso dialogar com os novos gigantes globais, sem ingenuidade e sem abdicar dos interesses europeus. "É um trabalho a fazer", observou Calenda, defendendo uma abordagem prática e estratégica.
Fechando o panorama com uma crítica aguda à cena política italiana, o senador resumiu, em tom direto e popular, a dinâmica eleitoral: "Alla fine si vota l'ultimo che cazzeggia" (no fim, vota-se naquele que mais aparece fazendo pouco). É uma frase que, com o peso da caneta e do voto, lembra que as escolhas públicas constroem ou corroem os alicerces da convivência democrática.
Como repórter atento à intersecção entre decisões de Roma e a vida cotidiana dos cidadãos, reafirmo: o debate de Calenda não é retórica de gabinete, mas um chamado prático para que a sociedade civil, os partidos e os eleitores participem da reconstrução institucional. Se a Europa é uma obra em construção, hoje corre o risco de ver sombras sobre os seus pilares — resta aos cidadãos exercerem o verbo que sustenta a democracia: votar com responsabilidade e cobrar resultados.