Gentiloni: perfil da coalizão de centro-esquerda não pode deslizar demais à esquerda, diz ex-premiê
Gentiloni defende que a coalizão de centro-esquerda não se desloque demasiadamente à esquerda e pede perfil reformista e certezas sobre Europa e Ucrânia.
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Gentiloni: perfil da coalizão de centro-esquerda não pode deslizar demais à esquerda, diz ex-premiê
Paolo Gentiloni voltou a enfatizar a necessidade de equilíbrio na construção da aliança que pretende disputar as próximas eleições: "O programa da coalizão de centro-esquerda poderia até ser feito com inteligência artificial, mas o problema é o perfil da coalizão, que não pode ser demasiado radical, demasiado deslocado à esquerda". A declaração foi dada em entrevista ao SkyTg24 e reflete a atenção do ex-primeiro-ministro para o impacto eleitoral e social das escolhas políticas.
Na visão de Gentiloni, cabe sobretudo ao Partito Democratico assumir um papel de moderação e confiança: "Serve um perfil tranquilizador e reformista e isso cabe antes de tudo ao PD, que não é um partido radical de esquerda, mas um partido reformista". Essa afirmação traça, com firmeza, os limites que o ex-premiê vê como necessários para que a aliança seja percebida como capaz de governar e de sustentar os alicerces da política externa e econômica do país.
Sobre a líder do Partido Democrático, Elly Schlein, Gentiloni avaliou que ela "pode certamente dar o seu contributo, não há dúvida", numa formulação que abre espaço à colaboração, mas sem renunciar ao cuidado com o centro do espectro político.
Gentiloni também dirigiu um alerta às atuais oposições: "As atuais oposições não podem perder as próximas eleições políticas, seria um caso quase único". Segundo ele, quem hoje está fora do governo deve oferecer certezas aos eleitores — em especial sobre a ancoragem europeia, a questão ucraniana e sobre propostas econômicas claras para o futuro do país. Sem essa base de confiança, disse, a fotografia de líderes reunidos em momentos simbólicos não é suficiente.
Referindo-se à imagem — citada por alguns como a "fotografia na trattoria" com Schlein, Conte, Fratoianni e Bonelli — Gentiloni sublinhou que aquela cena apontava para um encontro futuro sobre o programa e destacou a expectativa de que esses encontros resultem numa proposta que seja "rassicurante per il Paese" — um projeto que passe segurança ao eleitorado.
Quando questionado sobre um possível retorno à Farnesina num governo de centro-esquerda, Gentiloni respondeu com ironia contida: "Gostaria até de voltar a ser assessor na prefeitura de Roma; fiz muitas coisas, mas fujo desses cenários, hipóteses e toto-nomi. Deixemos trabalhar quem está diretamente comprometido hoje na política". A resposta revela o distanciamento prudente de quem já ocupou altos cargos e preferiria não alimentar especulações.
Por fim, sobre o alinhamento transatlântico, o ex-primeiro-ministro avaliou que a "onda da direita europeia a favor do presidente Trump foi muito breve e já não existe mais". Citando uma entrevista de Bardella, Gentiloni lembrou que houve críticas duras a Trump, chamado de "errático", indicando que a direita europeia, ao menos publicamente, busca distanciar-se das posições do ex-presidente norte-americano.
Como repórter e ponte entre as decisões de Roma e a vida cotidiana dos cidadãos, observo que as palavras de Gentiloni operam como um alerta prático: a construção de uma coalizão — e, portanto, de direitos e políticas públicas — passa pela montagem cuidadosa dos seus alicerces. Se a intenção é derrubar barreiras burocráticas e garantir estabilidade, o peso da caneta política terá de se equilibrar entre inovação e credibilidade, reunindo tanto lideranças carismáticas quanto garantias claras para quem vota e vive as consequências das decisões.