Comissão de Inquérito Covid: Jay Bhattacharya diz que vacina não impediu transmissão e critica lockdowns
Jay Bhattacharya afirma à comissão que vacinas não impediram transmissão; críticas a lockdowns, debate sobre autópsias e imunidade natural.
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Comissão de Inquérito Covid: Jay Bhattacharya diz que vacina não impediu transmissão e critica lockdowns
Em videoconferência a partir dos Estados Unidos, o epidemiologista e professor Jay Bhattacharya participou da audiência da comissão parlamentar de inquérito sobre a gestão da pandemia. Em tom direto e com evidências citadas, Bhattacharya voltou a questionar a eficácia das medidas mais drásticas aplicadas por governos, afirmando que nem o lockdown nem as campanhas de vacinação alcançaram aquilo que se dizia prometer.
Segundo o especialista, já nos ensaios clínicos randomizados de dezembro de 2020 havia indícios claros de que a vacina não bloqueava a transmissão: "Não foi demonstrada redução na probabilidade de difusão da doença", afirmou. Bhattacharya destacou que a proteção contra infecção era transitória — "no máximo dois meses" — e que, em março de 2021, já se percebia que a vacina não impedia a infecção e que a proteção diminuía com o tempo.
Essas observações reforçam, segundo ele, uma distinção essencial: a vacina mostrou capacidade para reduzir risco individual severo em alguns casos, mas não cumpriu a função de interromper a circulação comunitária nos moldes esperados por políticas de massa. Para Bhattacharya, era necessário separar a construção de direitos individuais à proteção da arquitetura de políticas públicas que prometiam interromper a transmissão.
No mesmo ambiente da comissão, emergiu o debate sobre as autópsias. O deputado Bagnai sustentou que já se sabia que cadáveres não transmitiam infecção, defendendo a ausência de riscos que justificassem a restrição dessas práticas. Do outro lado, o virologista Guido Abrignani admitiu um vazio decisório: "Não sei por que não foram feitas; teriam sido úteis". A divergência expõe falhas burocráticas e lacunas nos alicerces da resposta institucional à crise — uma ponte entre ciência e decisão política que, por vezes, não foi construída.
Também foi trazido ao plenário o episódio das orientações iniciais de tratamento, com o ministro Sileri distanciando-se de alguns protocolos, como a indicação de paracetamol e a estratégia de "vigile attesa" (espera vigilante). Sileri mencionou ainda alegações de pressões vindas do entorno do ex-ministro Speranza, apontando para tensões internas que afetaram decisões clínicas e comunicacionais.
Bhattacharya abordou ainda a questão da imunidade de rebanho e da imunidade natural. Ele relatou que a hipótese da imunidade natural foi, em muitos fóruns, negada e que isso teve impacto político: "Os governos decidiram que obrigações vacinais eram necessárias; permitir exceções por imunidade natural teria complicado políticas como o Green Pass". Em sua visão, uma simples via administrativa — por exemplo, atestado médico declarando infecção prévia — poderia ter sido suficiente para conciliar ciência e direitos civis, evitando a militarização de medidas de saúde pública.
Enquanto o país busca compreender os passos dados durante a crise, a audiência mostrou que permanece um trabalho de reconstrução: levantar os factos, avaliar decisões e reparar processos. Como repórter de política e cidadania, vejo esse momento como parte da reconstrução dos alicerces da lei e da confiança pública — é preciso derrubar barreiras burocráticas e erguer pontes entre evidência científica e governança.
A comissão prossegue com as investigações, e os depoimentos como o de Jay Bhattacharya servem de base para avaliar não apenas o passado, mas para moldar um arcabouço que proteja vidas sem sacrificar liberdades nem confundir o peso da caneta com o significado do interesse público.