La Russa: em Milão, o que importa é o candidato com mais chance de vencer, não 'cívico' ou 'político'
La Russa diz que debate 'cívico ou político' em Milão é equivocado; prioridade é escolher quem tem mais chance e construir aliança com periferias.
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La Russa: em Milão, o que importa é o candidato com mais chance de vencer, não 'cívico' ou 'político'
Em evento sobre o futuro de Milão — com debates sobre direitos, moradia, segurança, periferias, jovens, meio ambiente e inovação — o presidente do Senado, Ignazio La Russa, desarmou a polêmica sobre se o próximo prefeito da cidade deve ser um candidato cívico ou um candidato político. Para ele, a questão está colocada de forma errada: "devemos escolher a pessoa que tem mais chance de vencer".
La Russa foi direto ao ponto: se for um candidato cívico, ele precisa anunciar ao menos quatro políticos no seu time; e se for um candidato político, deve apresentar quatro figuras cívicas que não sejam políticos profissionais. A declaração busca transformar a discussão teórica em uma lógica prática de construção de coalizões, lembrando que, na política local, a arquitetura do apoio é tão importante quanto o nome na urna.
Durante o discurso, ele destacou a transformação política nas periferias: bairros como Rozzano, Cinisello e Sesto — historicamente bastiões da esquerda — hoje estão governados pela centro-direita. Segundo La Russa, isso ocorreu também porque os milaneses expulsos do centro foram para essas cidades e alteraram a conformação geopolítica local. Há, afirmou, um contínuo afastamento do ceto médio de Milão, impulsionado por decisões e comportamentos de uma camada ligada aos bairros dos Navigli que, muitas vezes, se mostra indiferente à condição de quem vive fora do centro.
Na visão do presidente do Senado, o primeiro objetivo do centrodestra é construir "uma aliança entre todas as categorias e periferias e com o ceto médio" — um convite claro para derrubar barreiras e erguer pontes entre territórios distintos da cidade. "Temos de dar a Milão uma virada decisiva", disse, evitando, no entanto, indicar um nome próprio para a corrida ao cargo. Em tom pragmático, relatou ter elogiado por cortesia um possível candidato, Giacomo Lupi, e citou também Antonino La Lumia, presidente da Ordem dos Advogados de Milão, sem, contudo, oficializar apoios.
La Russa fechou o comentário com uma observação estratégica: "Quando se governa por dez anos, é difícil bater uma coalizão que depois de anos de litígio encontra uma unidade". A frase sublinha o peso da experiência administrativa e a dificuldade de desarticular blocos amplos de apoio — um alerta aos estrategistas do centro-direita sobre a necessidade de um projeto coeso e competitivo.
Como repórter que acompanha a construção dos alicerces do poder, registro que o debate entre cívico e político é, frequentemente, uma fachada para questões mais duras: quem consegue mobilizar a periferia, reconquistar o ceto médio, e apresentar um programa de habitação, segurança e serviços que ressoe no dia a dia dos cidadãos? A eleição em Milão será, antes de tudo, uma prova de engenharia política — montar a ponte certa entre territórios e interesses para sustentar a vitória.
Nos próximos meses, será essencial acompanhar não só nomes, mas a composição das listas e as ferramentas de diálogo com as periferias. A construção de direitos e a resposta prática às necessidades urbanas serão o teste definitivo para qualquer candidatura. Mantemos os olhos abertos: a cidade exige propostas concretas, e o peso da caneta nas decisões locais vai traduzir-se no cotidiano de quem vive dentro e fora dos muros do centro.
Giuseppe Borgo
Espresso Italia — Voz de política e cidadania