Lei do fim da vida volta à Comissão no Senado e provoca ira das oposições
Lei do fim da vida retorna à Comissão do Senado; oposição reclama manobra e debate sobre SUS e dispositivos do CNR ganha destaque.
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Lei do fim da vida volta à Comissão no Senado e provoca ira das oposições
Por Giuseppe Borgo — A lei sobre o fim da vida retornou à Comissão do Senado, em mais um capítulo que expõe as fissuras da maioria e acirra o confronto com as oposições. O novo envio do texto legislativo para exame conjunto das comissões de Assuntos Sociais e de Justiça foi aprovado pela maioria de centro-direita, suscitando queixas duras de partidos de centro-esquerda e de grupos que acompanham o tema.
O encaminhamento para a Comissão ocorre após a evolução tumultuada do processo, que chegou a parecer encaminhado para votação em Plenário depois da decisão unânime da conferência de líderes. Para as oposições, no entanto, o efeito prático é o de uma derrota: "affossata", dizem críticos, que veem na manobra uma maneira de adiar ou arquivar uma proposta considerada urgente por muitos cidadãos e pela própria Corte Constitucional.
A dimensão humana reforça a emergência do debate. A líder do Partido Democrático, Elly Schlein, qualificou a decisão como "vergonhosa" no mesmo dia em que uma mulher de Trieste, identificada como Lucia, viajou à Suíça em busca de uma resposta que, segundo Schlein, "não pôde obter na Itália". A imagem é dura: cidadãos que, diante das lacunas legislativas, atravessam fronteiras para exercer direitos sobre seu corpo e sua dignidade — um sintoma do abandono que a política não pode ignorar.
O ponto técnico mais sensível continua sendo o envolvimento do Serviço Nacional de Saúde e a disponibilidade de dispositivos para morte assistida. Pela manhã, os escritórios de presidência das comissões reuniram-se para ouvir o Instituto Superior de Saúde (ISS). Do Centro Nacional de Pesquisas (CNR) veio resposta escrita assinada pelo presidente Andrea Lenzi: atualmente, não existem no mercado dispositivos com marcação CE aprovados para permitir a autosomministracão de fármacos por pessoas imobilizadas, nem projetos em fase de implementação para tais dispositivos.
Em Plenário, a suspensão foi aprovada com 88 votos favoráveis, 59 contrários e nenhuma abstenção — um resultado que selou o retorno do texto à Comissão. A presidente do grupo de senadores de Forza Italia, Stefania Craxi, rejeita a acusação de manobra protelatória e afirma que a iniciativa visa "trazer o dossiê ao centro da discussão", por se tratar da liberdade e da dignidade da pessoa. Na mesma linha, o co-relator e líder do grupo FdI na Comissão de Saúde, Ignazio Zullo, defende o esforço para construir uma proposta o mais amplamente compartilhada possível, livre de "velleidades ideológicas".
Do lado do centro-esquerda, a reação foi unificada e dura. Os líderes do PD na Câmara e no Senado, Chiara Braga e Francesco Boccia, afirmaram que a maioria dividida é quem "afoga definitivamente" a lei necessária, citando o projeto Bazoli, subscrito por todas as oposições, como um ponto de equilíbrio entre autodeterminação, responsabilidade pública e proteção da dignidade humana. "O voto de hoje da maioria é uma traição para quem sofre", disseram, acusando a coalizão de ser refém da ala mais dura da direita.
Este episódio evidencia uma arquitetura legislativa ainda por construir: falta consenso técnico e político, há lacunas nos alicerces normativos e a resposta do Estado em termos de dispositivos e assistência médica permanece incerta. A lei do fim da vida volta à Comissão como uma ponte a ser reconstruída, sob a pressão da sociedade e dos casos humanos que não esperam calendários parlamentares.