Meloni freia pedido de adiar o bloqueio ao gás russo: “Pressão sobre Moscou é a arma mais eficaz”
Meloni diz que a pressão sobre Moscou é a arma mais eficaz; debate entre Descalzi, Salvini e oposição sobre adiar bloqueio ao gás russo.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Meloni freia pedido de adiar o bloqueio ao gás russo: “Pressão sobre Moscou é a arma mais eficaz”
Dois dias após a declaração que reacendeu o debate sobre a dependência energética italiana, voltam ao centro do palco as palavras do administrador delegado da Eni, Claudio Descalzi, proferidas na escola de formação da Lega. Descalzi sugeriu a suspensão do embargo que entraria em vigor em 1º de janeiro de 2027 sobre os cerca de 20 bilhões de metros cúbicos de Gnl provenientes da Rússia.
O executivo ponderou que, diante da falta de 6,5 bilhões de metros cúbicos provenientes do Qatar, é possível compensar parte do volume com fornecimentos de Congo, Nigéria, Angola e Estados Unidos. "Quem vai produzir esses 20 bilhões vindos da Rússia? Suspendamos um instante de nos dar marteladas na cabeça. Retomamos depois, quando tivermos o elmo!", disse Descalzi, apelando ao bom senso e à "razãovolezza" para enfrentar uma situação que classificou como extraordinária.
Questionada hoje em Verona, a presidente do Conselho, Giorgia Meloni, evitou acenar imediatamente ao pedido e ressaltou o valor da estratégia de coerção econômica: "Não devemos esquecer — embora eu compreenda o ponto de vista de Descalzi — que a pressão sobre Moscou que exercemos nos últimos anos é, no fim, a arma mais eficaz que temos para construir a paz, por isso devemos ter muita atenção em como nos movemos".
Antes da líder do governo, o ministro do Meio Ambiente, Gilberto Pichetto Fratin, lembrou que a decisão, em última instância, cabe à União Europeia, devolvendo o tema ao terreno comunitário.
Em rota divergente, o vice-presidente do Conselho, Matteo Salvini, declarou-se "plenamente de acordo com Descalzi" e afirmou que "não podemos prescindir por muito tempo do gás russo", definindo sua posição como realista e pragmática. Entre as oposições, as reações foram variadas: a secretária do Partido Democrático, Elly Schlein, rejeitou qualquer adiamento, lembrando que a Europa está no meio de uma guerra iniciada por Putin e sublinhando o impacto do gás nos preços de energia.
O presidente do Movimento 5 Estrelas, Giuseppe Conte, sugeriu outra prioridade: negociar. "Para coerência, primeiro vamos buscar o acordo; depois, se preciso, vamos buscar o gás", disse, apontando para a necessidade de um impulso diplomático europeu.
Matteo Renzi, presidente de Italia Viva, elogiou a competência de Descalzi e lançou um alerta estratégico: se o estreito de Hormuz permanecer bloqueado, "Putin terá a faca no cabo", o que reforça a urgência de apoiar a Ucrânia enquanto se busca uma trégua que estabilize os fluxos energéticos.
O episódio revela a tensão entre os alicerces da política energética e a arquitetura das decisões europeias: por um lado, o peso da caneta nas empresas e no ministério; por outro, a necessidade de erigir uma ponte entre soberania nacional e coordenação comunitária. Resta ver se a União Europeia aceitará a recomendação técnica do setor energético ou se manterá o curso da pressão política sobre Moscou — decisão que terá impacto direto no bolso dos cidadãos e na construção de direitos energéticos na Europa.