Meloni na Câmara: suspender o pacto de estabilidade se a crise energética piorar

Meloni diz na Câmara que pode suspender o pacto de estabilidade se a crise energética piorar; reações da oposição e anúncio sobre cessar-fogo Irã-EUA.

Meloni na Câmara: suspender o pacto de estabilidade se a crise energética piorar

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Meloni na Câmara: suspender o pacto de estabilidade se a crise energética piorar

Em discurso à Câmara dos Deputados, a primeira-ministra Giorgia Meloni defendeu a necessidade de medidas excepcionais caso a situação do mercado energético se deteriore. Em tom firme, Meloni afirmou que, se a crise energética se agravar, será preciso considerar a suspensão temporária do pacto de estabilidade para proteger famílias e empresas — um peso da caneta que, segundo ela, pode ser fundamental para preservar os alicerces da economia.

A intervenção da premiê provocou reações imediatas das bancadas. A secretária do Partido Democrático, Elly Schlein, descreveu o pronunciamento como um “discurso de autoconvicção” e afirmou em plenário que a premissa da maioria já teria sido rejeitada pelo veredito das urnas: “Vocês desafiaram a Constituição e o povo soberano os bateu nas urnas”, disse Schlein, em tom de acusação.

Do lado da maioria, o responsável pela organização do Fratelli d'Italia, Giovanni Donzelli, comemorou o desempenho da líder: “Quem esperava ver Giorgia Meloni acuada, decepcionou-se”, declarou, apontando que a chefe do governo saiu fortalecida do debate.

O ex-primeiro-ministro e líder da Italia Viva, Matteo Renzi, avaliou o discurso como o primeiro comício da campanha rumo a 2027 e criticou a prática governamental: “A premiê não governa o país — os resultados mostram isso — mas diverte-se provocando a oposição. É uma provocação que deve ser enfrentada a peito aberto”, anunciou, informando que responderia do Senado em pronunciamento marcado para o início da tarde.

No cerne do pronunciamento de Meloni também houve defesa de iniciativas legislativas de combate à criminalidade. A premiê reiterou apoio ao projeto de lei, de primeira assinatura da presidente da comissão antimáfia, Colosimo, que prevê a retirada da potestade parental de condenados por envolvimento em organizações mafiosas. A medida foi apresentada por Meloni como resposta prática às acusações dirigidas a ela por setores da oposição, que chegaram a ligar a chefe do governo a um pai falecido, figura que a premiê afirmou não ver desde a infância: “Respondemos com ações, não com calúnias”, disse.

Em matéria de política externa e segurança internacional, Meloni informou a Câmara sobre um cessar-fogo temporário acordado na noite entre terça e quarta-feira entre o Irã, os Estados Unidos e seus aliados, após o conflito iniciado em 28 de fevereiro. A premiê elogiou o papel do presidente do Paquistão, Sharif, no processo de mediação e manifestou esperança para as negociações de paz que se iniciariam em Islamabad.

A chefe do Executivo destacou pontos que, segundo ela, devem constar de um acordo durável: cessação permanente das hostilidades, interrupção de ataques contra países do Golfo, fim das operações militares no Líbano, renúncia do Irã a seu programa nuclear e a normalização do tráfego no Estreito de Hormuz, que sofreu restrições nos últimos dias. “Condenamos qualquer violação do cessar-fogo e pedimos que a diplomacia transforme essa frágil perspetiva em paz estável”, afirmou Meloni.

Ao concluir, a primeira-ministra disse estar disposta a ouvir propostas tanto da maioria quanto da oposição, sugerindo abertura para ajustar a “arquitetura” das respostas às crises em curso. O quadro montado em plenário — entre acusações cruzadas, defesas firmes e anúncios de medidas emergenciais — funciona como um espelho da construção política que definirá os próximos passos de Roma, e que terá impacto direto no cotidiano de cidadãos, migrantes e comunidades ítalo-descendentes. É a política como obra pública: decisões tomadas agora vão erguer ou corroer os alicerces dos direitos e da economia.