Peter Thiel em Roma: seminários sobre o Anticristo, Palantir e o peso político do bilionário pró‑Trump
Peter Thiel em Roma para seminários sobre o Anticristo; presença privada, Palantir, controvérsias e reação política até 18 de março.
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Peter Thiel em Roma: seminários sobre o Anticristo, Palantir e o peso político do bilionário pró‑Trump
Por Giuseppe Borgo – Chegou a Roma um visitante cuja presença mistura negócios, religião e política internacional: Peter Thiel, o bilionário fundador do PayPal e da Palantir, desembarcou na capital italiana para ministrar uma série de seminários privados dedicados ao tema do Anticristo, que descreve como um “drama importante para o Ocidente”.
O primeiro encontro ocorreu no dia 15 de março, em Palazzo Taverna, nas imediações da Praça Navona. Realizado a portas fechadas, o seminário teve regras rígidas de participação: celulares recolhidos, aplicação da Chatham House Rule e um acordo de confidencialidade com multa de 10 mil euros em caso de violação. Segundo a organização, participaram entre 100 e 165 convidados selecionados — entre eles líderes de opinião católicos, empresários e jornalistas.
O ciclo intitulado "The Biblical Antichrist" foi precedido por uma introdução de Peter Robinson, antigo redator de discursos para Ronald Reagan, e teve como gesto simbólico uma missa em latim celebrada na basílica de San Giovanni dei Fiorentini. No conteúdo programático, Thiel e os convidados exploraram o papel de forças que consideram "ocultamente destrutivas" na modernidade, integrando referências religiosas, tecnológicas e geopolíticas.
O bilionário responde ao convite da associação cultural Vincenzo Gioberti, com sede em Brescia. O conselho diretor da entidade divulgou notas de grande entusiasmo, qualificando a presença de Thiel como "um grande privilégio" e expressando "reconhecimento imenso" pelo apoio do magnata — lembrado também por seu papel como um dos maiores financiadores de Donald Trump na campanha de 2016 e por ter apoiado financeiramente o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance.
No plano institucional, o governo de Giorgia Meloni negou que haja encontros oficiais agendados; contudo, o Ministério da Defesa italiano mantém desde 2024 relações contratuais com a Palantir para fornecimento de tecnologia de inteligência. Fontes informaram que Thiel não encontrará a premiê, por indicação de Fratelli d'Italia.
Os encontros seguem até 18 de março, com locais subsequentes que não foram tornados públicos. A presença do empresário suscitou reação política imediata: o Partido Democrático apresentou uma pergunta ao Parlamento, questionando se o "rei da vigilância de massa" encontrará a chefe do governo — em referência à atividade da Palantir no campo da análise de dados e segurança.
Também houve reação no meio eclesial e acadêmico. Instituições como o Angelicum e a Catholic University of America negaram ter sediado eventos com Thiel, e circulou informação não confirmada sobre um contato vaticano, via secretário de Estado Pietro Parolin, para tentar reavaliar ou cancelar participações. Críticos religiosos apontam para declarações controversas atribuídas a Thiel, que teriam incluído comparações duras a figuras públicas; o jornal Avvenire classificou sua visão como "nihilista" e contraposta a pensadores como René Girard, descrevendo a atuação da Palantir como uma espécie de "pseudo‑teologia da vigilância".
Um breve perfil: nascido em Frankfurt em 1967 de pais alemães, Thiel cresceu entre os Estados Unidos, a África do Sul e a Namíbia. Destacou‑se em matemática e xadrez ainda jovem e formou‑se em Filosofia em Stanford, onde foi influenciado por René Girard; posteriormente concluiu direito. Em 1998, cofundou o PayPal com Max Levchin — vendido à eBay em 2002 por 1,5 bilhão de dólares — e foi o primeiro investidor externo do Facebook, adquirindo uma participação significativa por uma fração do que essa fatia valeria anos depois. Em 2003, fundou a Palantir, empresa de softwares de análise de dados utilizada por agências como CIA e FBI e por grandes indústrias.
O episódio em Roma ilustra uma intersecção complexa entre poder econômico, influência política e narrativa religiosa: enquanto a presença de Thiel é celebrada por certos círculos conservadores como um reforço intelectual, para muitos observadores ela acende alertas sobre a influência privada nas decisões públicas e sobre a arquitetura da vigilância contemporânea. Como porta‑voz atento às conexões entre Roma e o cidadão, sigo acompanhando a agenda dos encontros e possíveis repercussões institucionais — a construção de direitos e a proteção do interesse público dependem também de transparência sobre quem dita os ritmos desses encontros.


