Repatriações: Governo prepara decreto-lei para eliminar incentivo de €615 a advogados, diz Meloni
Governo prepara decreto-lei para anular incentivo de €615 a advogados em repatriações; tensão com o Quirinale e protestos da oposição.
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Repatriações: Governo prepara decreto-lei para eliminar incentivo de €615 a advogados, diz Meloni
O governo anunciou a via escolhida para resolver o impasse em torno do decreto segurança: um decreto-lei ad hoc que abrogará a norma que criava um incentivo aos advogados por assistirem processos de repatriações voluntárias.
Segundo fontes governistas, a estratégia será aprovar o texto do decreto segurança na Câmara tal como está e, em seguida, emitir um novo decreto-lei para corrigir a parte contestada. A alteração deverá ser publicada na Gazzetta Ufficiale junto com a conversão em lei do texto aprovado por Montecitorio.
A polêmica vinha de uma norma que previa um pagamento de 615 euros aos advogados caso seus assistidos optassem por retornar ao país de origem. A maioria parlamentar chegou a avaliar a apresentação de um emendamento corretivo, mas ontem os relatores anunciaram que não haveria propostas de modificação e que o decreto "será approvato così com'è".
O subsecretário do Interior, Nicola Molteni, confirmou a ausência de emendamenti corretivi. Ainda assim, fontes da maioria garantiram que para os rilievi do Quirinale — as observações técnicas enviadas pela Presidência da República — "se troverà una soluzione" por meio do novo decreto-lei.
Na prática, essa opção representa uma solução técnica: evitar atrasos na conversão do decreto enquanto se constrói um remendo legislativo de caráter imediato. É a versão institucional do ajuste na estrutura de um edifício sem interromper completamente a obra — uma intervenção que mantém os alicerces do texto, mas corrige um ponto que ruiu a confiança de parte das instituições.
A reação das opposizioni foi dura. A líder do grupo do Partido Democrático, Chiara Braga, afirmou que o governo e a maioria caminham "deliberatamente ao confronto com o Quirinale", qualificando a situação como uma "fibrilação institucional sem precedentes". Braga acusou a maioria de forçar o exame parlamentar e de ignorar o confronto e a transparência legislativa.
O clima tenso foi agravado por encontros institucionais recentes entre representantes do governo e a Presidência, incluindo uma audiência com o subsecretário Mantovano. Do lado do governo, a primeira-ministra Giorgia Meloni rejeitou a leitura de que se tratasse de um "pasticho" e garantiu que as observações técnicas serão transformadas em um ato específico para correção: "vamos transformar esses rilievi em um provvedimento ad hoc", declarou ao chegar ao Salone del Mobile.
O ministro do Interior, Matteo Piantedosi, também interveio na Câmara sobre o tema dos rimpatri volontari assistiti, reafirmando a posição do governo na gestão das medidas de segurança e imigração, sem contudo detalhar novas soluções além do roteiro anunciado.
Resta ver como esse duplo percurso — aprovação do decreto em sua forma atual seguida da correção por decreto-lei — será recebido pelo Quirinale e se acalmará a tensão com as forças de oposição. Para os cidadãos, imigrantes e famílias envolvidas, a sequência de atos públicos é mais do que um jogo de gabinete: é o peso da caneta que decide direitos, fluxos e confiança nas instituições.
Giuseppe Borgo, Espresso Italia — reportagem sobre a arquitetura das decisões que ligam Roma à vida dos cidadãos.