Suspensão de 32 deputados por caso remigração esquenta sessão na Câmara: Donzelli acusa opositores de ameaças
Sessão acalorada na Câmara sobre a suspensão de 32 deputados por impedir conferência sobre remigração; Donzelli denuncia ameaças e chama por vídeos.
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Suspensão de 32 deputados por caso remigração esquenta sessão na Câmara: Donzelli acusa opositores de ameaças
Em uma sessão marcada por tensão e palavras fortes, a Câmara dos Deputados voltou a discutir a decisão que, em janeiro, resultou na suspensão de 32 deputados da oposição por terem interrompido uma conferência de imprensa sobre a remigração. O episódio explodiu sob os olhos de Giorgia Meloni, que tinha acabado de concluir sua informação sobre as ações do governo.
O ponto central do embate foi a deliberação do Ufficio di Presidenza, medida que recebeu críticas duras de parlamentares do Partido Democrático. Andrea Casu afirmou que a punição representa uma limitação ao exercício parlamentar. Em um discurso emotivo, aplaudido por colegas de bancada, Casu leu os nomes dos 32 sancionados e acusou a direção da Câmara de punir deputados que, na sua avaliação, haviam defendido a dignidade do Parlamento.
Com a metáfora dos alicerces da democracia em pauta, Casu pediu a reabertura do caso pela Giunta per il Regolamento, lembrando que a Constituição é de caráter antifascista e que não se pode penalizar quem alega defendê-la. A voz dos democratas recebeu apoio de outros grupos: Marco Grimaldi, do Avs, advertiu para o impacto imediato na representação de sua bancada — "o nosso grupo será reduzido à metade", disse, em tom de alerta. A posição do Movimento 5 Stelle acompanhou a mesma linha de crítica.
O fogo cruzado, porém, ganhou outra direção quando Giovanni Donzelli, responsável pela organização do Fratelli d'Italia (FdI), subiu à tribuna em réplica. Donzelli afirmou ter sido alvo de ameaças físicas durante os episódios de janeiro e pediu ao presidente da Câmara que verificasse as imagens nas salas da presidência: "Peço que vejam os vídeos, não se pode ameaçar fisicamente um parlamentar enquanto fala". Em sua fala, Donzelli acusou os que se autodenominam "antifascistas" de tentarem determinar quem tem o direito de falar no parlamento.
O deputado do FdI defendeu a ideia de que a liberdade de expressão e a própria democracia — conquistas garantidas por quem lutou contra o fascismo — exigem que todos possam usar a tribuna sem intimidação. "Não existe deputado que possa assumir o papel de xerife da democracia", disse, ao reforçar que eventuais excessos de violência devem ser tratados pelos órgãos institucionais competentes.
O confronto expõe um nó institucional: até que ponto medidas disciplinares internas podem coibir manifestações políticas no plenário sem ferir a representação parlamentar? A discussão sobre o episódio de janeiro abre uma nova fase no controle do debate público na Câmara, com impacto direto sobre a construção de direitos e as pontes entre cidadãos e instituições. O peso da caneta e das decisões internas volta a pesar sobre o funcionamento do Parlamento, exigindo um esclarecimento que deslinde a linha entre ordem institucional e liberdade parlamentar.