Iniciado o processo de beatificação de Don Malgesini, o 'padre dos últimos' de Como
Vaticano autoriza abertura do processo de beatificação de Don Malgesini, padre de Como morto em 15 de setembro de 2020; início da fase diocesana.
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Iniciado o processo de beatificação de Don Malgesini, o 'padre dos últimos' de Como
Don Malgesini andava pelas ruas de Como com a mochila às costas desde as primeiras horas do dia. Conhecido como o padre que se dedicava aos mais vulneráveis, ele saía diariamente para distribuir comida, oferecer escuta e prestar auxílio prático aos que viviam à margem. Em uma dessas saídas, em 2020, foi mortalmente esfaqueado. Agora, foi oficialmente aberto o caminho para a sua beatificação.
O anúncio foi feito pelo bispo local, Oscar Cantoni, em encontro com os jovens da diocese. Segundo o prelado, "Digo só a vocês primeiro: há a autorização para iniciar o processo de beatificação de Don Roberto." A decisão segue a autorização do Vaticano para o início da causa, que reconhece a necessidade de investigar de forma sistemática a vida e o testemunho do sacerdote.
Desde 2008, Don Roberto Malgesini exercia seu ministério de proximidade na igreja de San Rocco, em Como, atuando junto a um grupo de voluntários que diariamente levava alimento aos sem-teto da cidade. O trabalho era marcado por gestos simples e repetidos: distribuir refeições, ouvir relatos de sofrimento e articular ajuda prática. Essa rotina de serviço aos mais pobres tornou-se o traço definidor de sua ação pastoral.
O ataque ocorreu em 15 de setembro de 2020. O sacerdote foi morto a golpes de faca por um homem de origem migrante, que posteriormente se entregou aos carabinieri. A apuração policial e os trâmites judiciais seguiram seu curso; paralelamente, a memória de Don Malgesini permaneceu viva entre moradores, voluntários e fiéis que acompanharam de perto o seu trabalho.
Com a autorização do Vaticano, abre-se agora a fase diocesana da investigação canônica. Essa etapa envolve o recolhimento de testemunhos, documentos e evidências que possam demonstrar a vivência das virtudes cristãs por parte do sacerdote, além de examinar o contexto dos fatos que levaram à sua morte. É procedimento padrão e exige o cruzamento de fontes, depoimentos e arquivos para garantir rigor técnico e isenção.
Em declarações públicas, a irmã de Don Roberto resumiu parte do sentimento de quem o conheceu: "Roberto, luz para os sacerdotes" — expressão que circula entre frequentadores das iniciativas de caridade que ele coordenava. A frase reflete tanto a dimensão pessoal do sacerdote quanto o impacto simbólico de sua vida para a comunidade clerical e leiga.
Do ponto de vista jornalístico, o anúncio exige acompanhamento. A abertura da causa não equivale a beatificação automática; trata-se do início de um processo longo, que pode incluir a avaliação de milagres atribuídos à intercessão do servo de Deus, quando aplicável, e a verificação documental por instâncias eclesiásticas.
Permanece, contudo, o reconhecimento público da trajetória de Don Malgesini: uma vida ligada aos mais frágeis, marcada por rotina de presença e ajuda concreta. A apuração in loco e o cruzamento de fontes continuarão a ser necessários para acompanhar cada etapa desse processo canônico, traduzindo a realidade dos fatos em informação limpa e verificável.