Pif apresenta em Conca Verde filme dedicado a Papa Francisco: “Faço cinema pessoal; Francisco é revolucionário”

Pif apresenta '...che Dio perdona a tutti' em Conca Verde, dedica filme a Papa Francisco e fala sobre fé, infância e retorno à TV.

Pif apresenta em Conca Verde filme dedicado a Papa Francisco: “Faço cinema pessoal; Francisco é revolucionário”

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Pif apresenta em Conca Verde filme dedicado a Papa Francisco: “Faço cinema pessoal; Francisco é revolucionário”

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Pierfrancesco Diliberto, conhecido como Pif, 53 anos, apresentou ontem, na sexta‑feira santa, no Conca Verde, seu quarto filme como diretor: …che Dio perdona a tutti. O cineasta palermitano dedicou explicitamente a obra a Papa Francisco (Jorge Bergoglio), cuja figura descreve como prática e revolucionária.

Em entrevista durante a exibição, Pif explicou a gênese do projeto: partiu de um “amor desmedido” pela personalidade do Pontífice e da percepção de que a mensagem de Francisco — sobretudo quando pedia “pregate per me” — nivelava fiel e Papa, instaurando uma espécie de igualdade diante de Deus. Para o diretor, esse gesto é, por si só, um ato de ruptura com a tradição clerical: “Quando implorava ‘pregate per me’, compia um ato revolucionário. Pô‑nos todos no mesmo plano”.

O filme traça um percurso religioso que combina ironia e profundidade, oscilando entre o bem universal e referências concretas à cultura siciliana — inclusive a gastronomia: Pif ressaltou que muitos doces da ilha nasceram em conventos e ironizou que “não foi o diabo que inventou o cannolo”.

Autodeclarado um agnóstico esperançoso, o diretor admitiu admiração por quem tem fé, mas defende uma postura crítica e periódica diante das crenças, como forma de preservá‑las vivas. A paternidade — sua filha tem cinco anos — intensificou essa abertura: “Desde que sou pai, tenho outra urgência no confronto com temas como fé e moral”.

Um traço recorrente na obra de Pif é o foco na visão infantil. Segundo ele, a perspectiva das crianças é um fio condutor narrativo: a pureza e a coragem para questionar tornam o olhar da infância um instrumento útil para discutir assuntos complexos, da religião à mafia. “Na primeira fase da vida somos puros; fazemos perguntas que os adultos deixam de fazer. Quando trabalho tópicos como fé ou máfia, não acho errado confiar no ponto de vista das crianças”, disse.

Além da estreia cinematográfica, Pif anunciou o retorno à televisão, sem, no entanto, detalhar formatos ou datas. A naturalidade com que mescla elementos pessoais e sociais marca sua produção: filmes de tom íntimo que conversam com questões públicas.

Sobre o título, o diretor revelou inspiração popular: a expressão siciliana que motivou …che Dio perdona a tutti também foi tema em seu primeiro livro e reflete uma leitura irônica da prática religiosa italiana — hábito de viver a fé mais em palavras do que em atos, com a expectativa habitual de absolvição sacerdotal.

Rigorosa na forma e direta no conteúdo, a fala de Pif não busca polêmica gratuita. O que se vê é um cineasta que aposta em um cinema pessoal, ancorado em experiências privadas, mas orientado para debates públicos: fé, igualdade, memória cultural e o lugar das crianças na construção de sentidos.