Caminhar 8.500 passos por dia ajuda a manter o peso após dieta, diz estudo
Estudo indica que caminhar cerca de 8.500 passos/dia ajuda a manter o peso após dieta e reduz o retorno dos quilos perdidos.
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Caminhar 8.500 passos por dia ajuda a manter o peso após dieta, diz estudo
Por Alessandro Vittorio Romano — Caminhar com regularidade pode ser a respiração cotidiana que fixa os ganhos de uma dieta. Um estudo coordenado por Marwan El Ghoch, do Departamento de Ciências Biomédicas, Metabólicas e Neurológicas da Universidade de Modena e Reggio Emilia, publicado no International Journal of Environmental Research and Public Health e apresentado no Congresso Europeu sobre Obesidade (ECO 2026) em Istambul, mostra que cerca de 8.500 passos ao dia podem ajudar pessoas com sobrepeso ou obesidade a manter o peso conquistado e a limitar o retorno dos quilos perdidos.
Os pesquisadores italianos e libaneses conduziram uma revisão sistemática e uma meta-análise da literatura disponível. Foram avaliados 18 ensaios clínicos randomizados; 14 desses envolveram, ao todo, 3.758 participantes e foram incluídos na análise final. A amostra média tinha 53 anos e Índice de Massa Corporal (IMC) médio de 31 kg/m², com estudos realizados no Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Japão.
O trabalho comparou 1.987 pacientes inseridos em programas de mudança de estilo de vida — que combinavam orientações alimentares, aconselhamento para aumentar o movimento diário e monitoramento do número de passos — com 1.771 pessoas que seguiram apenas dieta ou não receberam intervenção específica. As intervenções geralmente incluíam uma fase inicial de emagrecimento, com duração média de quase oito meses, seguida por uma fase de manutenção do peso com média superior a dez meses.
Ao início, ambos os grupos registravam aproximadamente 7.200 passos diários. No grupo controle, o número de passos não aumentou e não houve perda de peso significativa. Já nos participantes dos programas de estilo de vida, os passos médios subiram para 8.454 ao final da fase de perda de peso. Simultaneamente, esses pacientes perderam em média 4,39% do peso corporal — cerca de quatro quilos.
O achado central é simples e econômico: elevar a atividade física cotidiana para algo na casa de 8.500 passos pode ser a âncora que impede o retorno dos quilos perdidos ao longo do tempo. Em palavras de El Ghoch, o desafio maior no tratamento da obesidade não é apenas perder peso, mas evitar o seu recupero nos anos seguintes — um problema que afeta cerca de 80% das pessoas que emagrecem, que tendem a recuperar parte ou todo o peso em 3 a 5 anos.
Como observador dos ritmos do corpo e da cidade, gosto de pensar nesse aumento de passos como o cultivo diário de pequenas raízes: não é uma marcha forçada, mas uma colheita contínua de hábitos que nutrem o peso saudável. Monitorar os passos, ajustar a alimentação com sensibilidade e permitir que o movimento se integre à rotina são estratégias acessíveis e sustentáveis — a respiração lenta de uma mudança que se mantém.
Os autores ressaltam que programas que combinam apoio nutricional com metas concretas de movimento e monitoramento parecem oferecer benefícios reais na manutenção do peso. Ainda que a média sugerida gire em torno de 8.500 passos por dia, é importante lembrar que cada corpo tem seu tempo; o essencial é transformar o movimento em um hábito contínuo, como o ciclo das estações que orienta o corpo ao longo do ano.
Em conclusão, para quem acabou de completar um ciclo de emagrecimento, incorporar passos a mais ao dia — caminhadas suaves ao amanhecer, deslocamentos a pé, pequenas pausas ativas — pode ser a estratégia prática e delicada para fixar os resultados e preservar o bem-estar. A ciência confirma: não é só o que se perde na balança, mas o que se planta no dia a dia que sustenta a mudança.