No Gemelli, a Inteligência Artificial entra na sala para guiar a angioplastia e acelerar decisões cardíacas
No Gemelli, IA auxilia cardiologistas durante coronarografia e otimiza decisões para angioplastia, integrando OCT e FFR em tempo real.
RESUMO ✦
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No Gemelli, a Inteligência Artificial entra na sala para guiar a angioplastia e acelerar decisões cardíacas
Roma — Uma nova etapa na interação entre tecnologia e cuidado humano chegou ao Policlínico Universitário A. Gemelli Irccs. Um software baseado em Inteligência Artificial começou a ser usado para apoiar cardiologistas e cardiologistas intervencionistas durante a realização de uma coronarografia, ajudando a tomar decisões terapêuticas mais rápidas e mais personalizadas e, quando necessário, a otimizar a angioplastia.
“A coronarografia e a angioplastia historicamente se apoiam nas imagens angiográficas, que têm limites de resolução”, explica o professor Francesco Burzotta, titular de Cardiologia na Università Cattolica del Sacro Cuore e diretor da UOC de Cardiologia do Policlínico Gemelli. “A integração com sistemas de imaging intracoronário, como o OCT (Optical Coherence Tomography), já elevou a qualidade ao permitir olhar a placa de dentro do vaso. Hoje, para aperfeiçoar a precisão das escolhas terapêuticas, combinamos dois caminhos complementares: o estudo funcional das coronárias por meio da FFR (Fractional Flow Reserve), que avalia o impacto de uma placa no fluxo sanguíneo, e as técnicas de imaging intracoronário como o OCT.
O que o novo sistema faz é integrar essas múltiplas fontes — imagens angiográficas, sinais funcionais e dados de OCT — e apresentar uma orientação em tempo real ao operador. Na prática clínica, é como ter uma bússola digital que sugere quais lesões realmente exigem intervenção, qual o melhor diâmetro e comprimento do stent a ser usado, e como otimizar a implantação para reduzir complicações posteriores.
Os benefícios sentidos à primeira vista se parecem com uma respiração mais calma da sala de cirurgia: decisões mais rápidas, procedimentos potencialmente mais curtos e com menor exposição ao contraste e à radiação. Para o paciente, isso pode significar intervenções mais direcionadas e segurança aumentada; para a equipe, um suporte que organiza e sintetiza dados complexos sem tirar o protagonismo humano.
O uso desta Inteligência Artificial no Gemelli nasce de um equilíbrio entre a experiência clínica e o avanço tecnológico. Não se trata de substituir a intuição do médico, mas de amplificá-la: a máquina traz uma visão ampliada, a equipe a sensibilidade e a responsabilidade das escolhas finais. É, em linguagem da vida cotidiana, transformar a paisagem fragmentada de imagens e números em um mapa coerente para a navegação do coração.
O professor Burzotta ressalta que as ferramentas de imaging intracoronário e a FFR já demonstraram seu valor, e que a adição da IA representa o próximo passo na colheita de melhores resultados clínicos. Nos próximos meses, o foco será avaliar, com dados concretos, como essa integração afeta tempos de procedimento, taxa de eventos adversos e a qualidade das implantações de stents.
Como observador sensível às mudanças do cotidiano, vejo essa inovação como uma pequena primavera na prática cardiológica: raízes antigas de conhecimento que florescem sob a luz de ferramentas novas, guiando mãos e corações com um ritmo mais afinado. No Gemelli, a tecnologia e o cuidado respiram juntos, e isso promete traduzir-se em mais saúde para quem passa por suas portas.