Obstétricas respondem a Vannacci: 'Não seguimos lógicas de partido' — Aio defende formação sobre gravidez e amamentação trans
Aio responde a críticas sobre curso para gravidez e amamentação na comunidade trans: 'não seguimos lógicas de partido', diz Antonella Marchi.
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Obstétricas respondem a Vannacci: 'Não seguimos lógicas de partido' — Aio defende formação sobre gravidez e amamentação trans
ROMA, 14 de agosto de 2026 — Em resposta às críticas levantadas por parlamentares do Fnv, Antonella Marchi, presidente honorária da Associação Italiana Ostetricia (Aio), reafirma que a profissão não se submete a interesses partidários, mas sim à proteção da saúde humana. 'Como profissionais da saúde não respondemos a lógicas de partido, mas à tutela da saúde humana', diz Marchi ao ANSA, ao explicar o objetivo do curso sobre gravidez e amamentação na comunidade trans que integra a programação do congresso de outubro em Riccione.
A Aio, sociedade científica reconhecida pelo Ministério da Saúde, lembra que a prática obstétrica já convive há anos com temas que refletem as mudanças sociais em curso. 'Em vez de atacar — com um debate montado para fins de especulação — quem se atualiza e estuda, deveria-se pensar em fazer política. E fazer política, acrescenta Marchi, é criar cuidados justos, equitativos, completos e centrados na pessoa', afirma a dirigente.
Na respiração cotidiana das cidades, como em um campo que muda com as estações, a obstetrícia precisa adaptar-se às novas paisagens humanas. Marchi sublinha que as pessoas com capacidade de gestação nem sempre se identificam como mulheres: 'Pode não agradar, mas acontece, e a profissão de obstétrica deve evoluir para gerir essas escolhas de vida da melhor forma'.
O curso em debate pretende oferecer ferramentas práticas para profissionais que acompanham pessoas trans durante a gravidez, o parto e o período de amamentação, buscando reduzir vulnerabilidades e promover um acolhimento não discriminatório. Entre os pontos destacados pela Aio está o direito a cuidados médicos completos, inclusivos e autodeterminados, incluindo o acesso ao aborto seguro para eliminar mortes maternas, bem como o suporte ao início da amamentação quando desejado pela pessoa cuidadora.
Marchi lembra que o papel das profissionais é semelhante ao de jardineiras que conhecem os ciclos da terra: observar, adaptar-se e nutrir. 'A obstetrícia é a colheita de hábitos de cuidado que protegerão tanto a saúde física quanto o bem-estar emocional de quem escolhe gestar ou cuidar de um recém-nascido, independentemente de identidade de gênero', descreve.
Reagindo ao tumulto político, a Aio pede que o debate público seja menos espetacular e mais produtivo: políticas que assegurem o acesso universal a serviços de saúde reprodutiva e formação continuada para profissionais. 'Criar cuidados centrados na pessoa significa garantir que ninguém seja privado de atendimento seguro por preconceito', resume Marchi.
O congresso em Riccione, programado para outubro, terá módulos voltados à atualização clínica e ética, com foco no atendimento humanizado e nas práticas que acompanham a diversidade das famílias contemporâneas. Em tempos de mudanças, as profissionais de saúde são chamadas a ouvir o tempo interno do corpo e a respiração da sociedade — para cultivar cuidados que floresçam para todos.