Queda do gasto em saúde: 5,8 milhões de italianos abrem mão de cuidados e Itália fica última no G7
Despesa pública em saúde cai para 6,2% do PIB; 5,8 milhões de italianos abrem mão de cuidados. Itália atrás dos países do G7 e da média OCDE.
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Queda do gasto em saúde: 5,8 milhões de italianos abrem mão de cuidados e Itália fica última no G7
Por Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia
O ritmo respiratório do bem-estar público mostra-se ofegante: a despesa sanitária pública da Itália recuou e o país volta a sentir as folhas da proteção social secarem ao vento. No último ano, os gastos públicos com saúde ficaram em 6,2% do PIB, uma pequena queda em relação aos 6,3% do ano anterior, mas suficiente para manter a nação bem abaixo das médias das economias europeias e da OCDE (ambas em 7,1%).
Essa é a conclusão do relatório da Fundação Gimbe, apresentado no preâmbulo das discussões sobre a Lei de Orçamento de 2027. Para Nino Cartabellotta, presidente da Gimbe, o problema é claro: "o subfinanciamento público é uma criticidade estrutural que enfraqueceu o serviço sanitario nazionale e comprometeu a garantia de um direito fundamental".
O efeito mais áspero dessa erosão não é apenas estatístico: traduz-se em carteiras vazias, exames adiados e consultas não realizadas. Em 2024, segundo a análise, cerca de 5,8 milhões de italianos renunciaram a cuidados, desde exames diagnósticos até visitas a especialistas. É uma paisagem onde a confiança no sistema se encolhe como uma vinha na seca, e as famílias acabam colhendo dívidas ao tentar suprir o que o serviço público não cobre.
O estudo, com base em dados da OCDE, mostra como a distância entre a Itália e outros países europeus foi aumentando ao longo dos anos. Em termos de gasto público em saúde por habitante, em 2025 a Itália registrou 3.952 dólares por pessoa — ou seja, 3.952 dólares per capita, valor que fica 909 dólares abaixo da média da OCDE e 1.013 dólares aquém da média europeia. Desde 2011, essa lacuna só se aprofundou; hoje o fosso alcança aproximadamente 36,1 bilhões de dólares: um buraco cavado por 15 anos de erosão progressiva das verbas, independentemente da cor dos governos.
Na arena política, a oposição acusa o Executivo de omissão. Marina Sereni (PD) sustenta que "com o governo atual o desfinanciamento da saúde pública voltou a crescer"; Annamaria Furlan (Italia Viva) alerta para as consequências diretas na vida das pessoas. Do lado dos profissionais de saúde, o diagnóstico é semelhante, mas mais matizado: Pierino Di Silverio, do sindicato Anaao Assomed, afirma que além de injetar mais recursos é crucial repensar como esses recursos chegam aos serviços.
O governo, por sua vez, procura transmitir calma: o subsecretário à Saúde Marcello Gemmato garante que haverá um aumento do Fundo sanitario, lembrando que nos últimos três anos foram destinados 18 bilhões a mais e que, somente para este ano, estão previstos 6,3 bilhões extras.
Como observador atento ao cotidiano italiano, vejo nessa história não apenas números, mas o ritmo das estações do corpo social. Quando as raízes do serviço público se enfraquecem, brotam desigualdades — e muitos cortam a própria cura para conservar o essencial. A próxima Lei de Orçamento será a colheita que decidirá se voltaremos a nutrir o sistema ou se deixaremos o inverno do acesso se prolongar.

