Voluntariado em oncologia: anos de atrasos na implementação das redes oncológicas na Itália

Favo alerta: anos de atrasos na implementação das redes oncológicas italianas por causa da burocracia e falta de coordenação ativa.

Voluntariado em oncologia: anos de atrasos na implementação das redes oncológicas na Itália

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Voluntariado em oncologia: anos de atrasos na implementação das redes oncológicas na Itália

Por Alessandro Vittorio Romano — Em Roma, na apresentação do 18º relatório sobre a condição assistencial dos doentes oncológicos, a atmosfera foi de franqueza e preocupação. Francesco De Lorenzo, presidente da Favo — a federação das associações de voluntariado em oncologia — trouxe à tona um problema que é, ao mesmo tempo, administrativo e humano: há atrasos de anos na aplicação das redes oncológicas previstas para uniformizar o cuidado no país.

Esses atrasos, explicou De Lorenzo, não nascem de falta de vontade política, mas da rigidez da burocracia. Iniciativas já definidas em termos políticos, legislativos e normativos permanecem sem uma regência operacional ativa. É como se um plano de plantio existisse no papel, mas faltasse alguém para regar as sementes quando chega a estação.

O Piano oncologico nazionale 2023-2027, que deveria ser a bússola para esse processo, ainda não tem quem o conduza na prática. Entre os exemplos mais emblemáticos está o Centro di coordinamento delle reti oncologiche regionali, instituído junto ao Ministério da Saúde com o propósito de harmonizar a assistência oncológica em toda a Itália. A comissão responsável estaria pronta desde 2024, e, ainda assim, "a comissão é pronta al 2024 e ancora non si è riunita", recordou De Lorenzo. A imagem é a de uma cidade que respira, mas em que alguns pulmões administrativos permanecem adormecidos.

Outro ponto destacado é a necessidade de efetivar a lei aprovada no orçamento de 2025, que reconhece o papel das associações de pacientes nas fases decisórias do serviço de saúde nacional. Trata-se de transformar a voz de quem vive a doença em parte integrante das escolhas sobre organização e prioridades. Sem esse gesto, as redes oncológicas perdem não só eficiência, mas também a humanidade necessária para realmente atender cada percurso de cura.

As redes oncológicas representam um modelo capaz de integrar competências, serviços e recursos regionais, evitando que o paciente precise percorrer um labirinto de estruturas desconectadas. Quando a coordenação falha, o que se perde é tempo — e, para a oncologia, o tempo é um recurso sensível, que envolve o tempo interno do corpo e a urgência das decisões clínicas.

Como observador atento do cotidiano italiano, vejo nisso também um convite à chamada "colheita de hábitos" institucionais: acelerar processos, simplificar fluxos e ativar espaços de participação cívica. A celebração da XXI Giornata nazionale del malato oncologico, que marca o início das reflexões públicas, deveria servir de catalisador para que as instituições transformem promessas em gestos concretos.

Ao fim, fica o apelo de quem vive a assistência diariamente: não se trata apenas de cumprir cronogramas, mas de restaurar a respiração da cidade em torno de quem enfrenta o câncer. A burocracia pode ser uma sombra longa, mas com coordenação ativa e participação dos pacientes, as redes oncológicas podem enfim florescer em benefício de todos.