Parlamento Europeu propõe endurecer regras sobre investimentos chineses no setor energético
Parlamento Europeu propõe reduzir limite para controles de investimentos chineses para €50M e restringir acesso a subsídios, protegendo setores estratégicos.
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Parlamento Europeu propõe endurecer regras sobre investimentos chineses no setor energético
Por Marco Severini — Em um movimento calculado no centro do tabuleiro geoeconômico, o Parlamento Europeu avançou com uma proposta para apertar o controlo sobre investimentos externos, com foco particular nas operações de origem chinesa. Segundo apurou a Euronews, os três relatores do Net Zero Industry Act — Christophe Grudler (Renew), Pierre Jouvet (S&D) e Anna Cavazzini (Verdi) — selaram um acordo para endurecer substancialmente os critérios aplicáveis a investimentos diretos no mercado único.
O relatório, cuja publicação está prevista para esta semana, visa robustecer a cláusula de “preferência europeia” já proposta pela Comissão Europeia, com o objetivo de proteger setores estratégicos da concorrência externa, notadamente aquela oriunda da China. Nos segmentos onde Pequim detém uma posição de monopólio ou de forte dominância global — como veículos elétricos, painéis solares, baterias e matérias-primas críticas — o Parlamento propõe reduzir a linha de controlo dos investimentos estrangeiros de €100 para €50 milhões.
Para investidores provenientes de países que detenham mais de 40% da quota de mercado global num dado setor, o acesso ao mercado europeu ficará condicionado ao cumprimento de seis condições rigorosas estabelecidas no texto. Essas exigências configuram um conjunto de salvaguardas que visam preservar a integridade das cadeias de valor estratégicas, sem, contudo, recorrer a medidas de ruptura total com parceiros comerciais.
Os relatores expandiram ainda o âmbito das proteções a outros setores centrais da transição energética — entre eles a energia eólica, os eletrólitos e as bombas de calor — impondo que, nessas áreas, sejam respeitadas pelo menos três das condições esboçadas no relatório. Trata-se, em termos digitais e arquitetônicos, de reforçar alicerces cuja fragilidade poderia comprometer a estabilidade industrial europeia.
O texto contém normas estritas relativas aos fundos públicos: o acesso a contratos públicos e a regimes de subsídio seria reservado exclusivamente a produtos fabricados nos 27 Estados-membros. Eventuais aberturas a países terceiros dependeriam de uma decisão explícita da Comissão, condicionada a uma reciprocidade rigorosa no acesso aos respectivos mercados públicos.
Esta iniciativa responde também a pressões de parceiros como o Reino Unido, que reclamavam equiparação do seu “made in” dada a elevada integração das cadeias de valor. Apesar das advertências e das ameaças de medidas retaliatórias por parte de Pequim — já tema central nas conversas comerciais com Bruxelas — o Parlamento envia uma mensagem clara: a União Europeia não cederá espaço face a políticas industriais agressivas de potências extra-comunitárias.
O texto seguirá agora para votação pelos eurodeputados, antes de entrar na fase de negociações diretas (trílogo) com os governos nacionais. Em termos estratégicos, estamos perante um movimento decisivo no tabuleiro: a UE procura redesenhar, de forma calibrada, as fronteiras invisíveis da sua soberania industrial e energética, reforçando mecanismos que alinhem segurança económica e ambição climática.

