Torre Eiffel reabre após greve por exclusão de mulheres durante visita do grupo BAPS

Torre Eiffel reabre após greve por exclusão de mulheres em visita do grupo BAPS; SETE pede revisão de procedimentos e investigação é anunciada.

Torre Eiffel reabre após greve por exclusão de mulheres durante visita do grupo BAPS

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Torre Eiffel reabre após greve por exclusão de mulheres durante visita do grupo BAPS

Por Marco Severini, Espresso Italia — Em um movimento que revela tanto tensões sociais quanto fragilidades institucionais, a Torre Eiffel foi reaberta nesta terça-feira após um dia de fechamento motivado por uma greve do pessoal. A paralisação foi convocada em protesto contra a marginalização de funcionárias durante a visita de uma delegação do movimento religioso hindu Bochasanwasi Akshar Purushottam Swaminarayan Sanstha (BAPS), cuja presença havia gerado instruções que limitaram interações com mulheres.

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A empresa que administra o monumento parisiense, a SETE (Société d'Exploitation de la Tour Eiffel), reconheceu que a delegação pediu organização da visita de modo a delimitar “as interações com as mulheres” e, em nota, afirmou que “essas condições não deveriam ter sido aceitas”. Após um encontro entre a direção e os funcionários, o monumento foi reaberto ao público.

O episódio gerou um pedido de desculpas público por parte do BAPS, que afirmou lamentar “qualquer dor ou desconforto causado” e negou ter impedido o acesso de alguém à Torre Eiffel. A organização declarou nas redes sociais que a logística foi planejada em horário de abertura para evitar transtornos aos demais visitantes, justificativa que, no tabuleiro das aparências, não apaga o dano simbólico relatado pelas trabalhadores.

Segundo comunicado do pessoal da Torre Eiffel, houve instruções profissionais que levaram empregadas a serem “marginalizadas, substituídas e tornadas invisíveis por causa do seu sexo” durante a visita. Relataram que algumas foram convidadas a abandonar seus postos, outras foram realocadas, em certas posições foram substituídas por homens e, de modo geral, foi-lhes ordenado não cruzar determinadas áreas enquanto a delegação permanecia no local. Essas medidas provocaram choque e mobilização imediata dos trabalhadores.

No plano político, a reação foi firme: o vice-prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, anunciou que uma investigação será aberta o mais breve possível, e Yaël Braun-Pivet, presidente da Assembleia Nacional, condenou publicamente o episódio, afirmando que “receber outros não significa jamais renunciar aos nossos valores. Em França, as mulheres estão plenamente presentes na vida pública. Ninguém pode pedir que desapareçam da cena pública”.

O site oficial da Torre Eiffel informou que o monumento ficou fechado na segunda-feira por “circunstâncias excecionais” e pediu aos visitantes com bilhetes que verifiquem seus e-mails, lamentando o transtorno causado.

Como analista que observa os jogos de influência e as linhas de atrito nas grandes cidades, este incidente é sintomático de uma tensão mais ampla: a necessidade de conciliar hospitalidade internacional com a preservação dos alicerces republicanos e laicos que sustentam a esfera pública francesa. Não se trata apenas de um desentendimento logístico, mas de um movimento decisivo no tabuleiro simbólico da cidade, onde espaços públicos não podem ser redesenhados por solicitações que conflitem com normas de igualdade e presença feminina.

O desfecho imediato — reabertura após compromisso e desculpas formais — resolve temporariamente a crise operacional, mas abre um espaço para perguntas institucionais: quem validou as instruções iniciais? Quais salvaguardas serão implementadas para que os valores públicos não cedam diante de pedidos que fragilizem a igualdade de género? A investigação anunciada deverá responder a essas questões e restabelecer a ordem nas fronteiras invisíveis do convívio público.

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