Sophie Adenot protagoniza primeira atividade extraveicular francesa na ISS
Sophie Adenot realiza a primeira atividade extraveicular francesa na ISS para substituir antena de comunicações. Missão começa às 14h35 e dura ~6h30.
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Sophie Adenot protagoniza primeira atividade extraveicular francesa na ISS
Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha pequenas, mas significativas, fronteiras de influência no tabuleiro espacial, Sophie Adenot prepara-se para assinar um novo capítulo da história aeroespacial francesa. Seis meses após ingressar na Estação Espacial Internacional (ISS) — tornando-se a segunda francesa a habitar a estação depois de Claudie Haigneré — a engenheira aeronáutica, de 44 anos, realizará nesta terça-feira, 18 de agosto, sua primeira atividade extraveicular (EVA). Em sua conta no X ela resumiu com precisão diplomática: “Estou pronta”.
A operação, prevista para começar às 14h35 (horário da missão), terá duração estimada de seis horas e meia e consiste na substituição de uma antena Space-to-Ground (S/Gant), equipamento essencial para transmissões de dados em alta velocidade e para as comunicações entre a estação e os centros de controle em Terra, segundo informações divulgadas pela NASA.
Sophie Adenot exercerá esta tarefa ao lado do astronauta americano Anil Menon. A saída para o exterior fará dela a primeira mulher francesa a executar uma EVA e a segunda mulher europeia a fazê-lo, após a italiana Samantha Cristoforetti em 2022 — uma peça simbólica do reposicionamento europeu no tabuleiro da exploração tripulada.
O roteiro da missão é preciso e coreografado: desmontar a antena avariada, recuperar a nova unidade, instalá-la na estrutura adequada e efetuar os conectores elétricos indispensáveis ao seu funcionamento. Para segurança, ambos os astronautas estarão conectados à estação por cabo de aço, realizando desengates e novo engate conforme a necessidade de avanço ao longo da estrutura. Em caso de contingência, poderão utilizar o sistema de propulsão individual conhecido como SAFER — um propulsor de emergência a gás nitrogênio — para retornar com segurança à ISS.
A logística de suporte é rigorosa: dentro dos trajes espaciais os dois carregarão cerca de um litro de água e suprimento de oxigênio projetado para aproximadamente dez horas de autonomia. Nos dias anteriores, Adenot e Menon repetiram minuciosamente a sequência de trabalho: verificação de trajes, recarga e substituição de baterias, inspeção de imbracaduras de segurança e a arrumação do equipamento que acompanhará a saída — uma preparação que, como a própria Adenot observou, começa muito antes da abertura do portal de saída.
Enquanto a dupla opera no exterior, os americanos Jessica Meir e Jack Hathaway permanecerão a bordo, coordenando as comunicações e dando suporte às manobras. Como sempre, embora o foco midiático recaia sobre os dois astronautas extraveiculares, trata-se de um esforço coletivo que envolve controladores, engenheiros e equipes de solo que formam os alicerces frágeis — e ao mesmo tempo resilientes — da diplomacia tecnológica.
Do ponto de vista estratégico, o feito de Sophie Adenot tem dois níveis de leitura: simbolicamente, ele projeta a presença francesa em uma arena de prestígio internacional; tecnicamente, reforça a capacidade operacional da ISS para comunicações de alta velocidade, um elemento crítico para futuras missões científicas e logísticas. Em termos de geopolítica do espaço, cada EVA é um movimento decisivo no tabuleiro, uma pequena tectônica de poder que confirma competências e redes de cooperação entre agências.
Para a audiência e para os decisores, a missão será observada com atenção: uma operação com elevado grau de precisão, onde a paciência, a disciplina e a sincronia coletiva definem o êxito — como em um final técnico de uma partida bem jogada.