Tajani defende reforço da missão naval Aspides no Mar Vermelho e rejeita extensão para Hormuz
Tajani defende reforço da missão Aspides no Mar Vermelho e descarta estender a operação para Hormuz, propondo diplomacia para garantir a navegação.
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Tajani defende reforço da missão naval Aspides no Mar Vermelho e rejeita extensão para Hormuz
Por Marco Severini — Em um movimento contido mas estratégico, o ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, reafirmou em Bruxelas a impossibilidade prática de alargar a missão naval europeia Aspides ao estreito de Hormuz. A declaração foi proferida à margem do Conselho de Assuntos Exteriores da União Europeia e traduz a posição de Roma sobre um tema que redesenha, mesmo que discretamente, o equilíbrio de poder no teatro marítimo entre o Golfo Pérsico e o Mar Vermelho.
Tajani sublinhou que Aspides tem natureza estritamente defensiva e foi concebida para responder aos ataques contra mercantes no Mar Vermelho, sobretudo decorrentes das ações do grupo Houthi. Lançada em fevereiro de 2024, a operação tem QG na Grécia e é dirigida pela Itália — um alicerce de autoridade europea em uma área sensível à livre circulação de comércio.
Segundo o chefe da diplomacia italiana, por causa das dinâmicas próprias do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã, seria “complicado” e inapto transferir ou estender a missão para Hormuz. Em termos práticos, Tajani defende que se mantenha o foco no Mar Vermelho e, se necessário, que a operação seja reforçada para proteger o tráfego próximo ao canal de Suez — um movimento que, em linguagem de tabuleiro, equivale a consolidar peças defensivas sobre uma rota estratégica sem abrir outro flanco vulnerável.
O ministro italiano também frisou a primazia da diplomacia: «Deve prevalecer a diplomacia para a liberdade de navegação» nas águas internacionais submetidas a bloqueios e hostilidade. A alternativa, nas palavras de Tajani, não é simplesmente deslocar uma missão existente, mas eventualmente conceber uma nova operação com mandato distinto — hipótese que ele não detalhou, preferindo evocar soluções negociadas.
A posição de Roma encontra eco em Berlim. O ministro das Relações Exteriores alemão, Johan Badeful, manifestou reservas sobre a viabilidade de estender Aspides até Hormuz, questionando a capacidade operacional e política de tal movimento. Mesmo a Alta Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas, reconheceu que não há um “apetite” claro para uma transferência de escopo tão drástica.
Do ponto de vista estratégico, a escolha por não transpor Aspides ao estreito persa reflete uma leitura realista da tectônica de poder regional: abrir uma nova frente poderia alterar as linhas de responsabilidade, diluir mandatos e provocar repercussões diplomáticas indesejadas. Melhor, na visão italiana, reforçar o que já foi mandado proteger — um movimento prudente, que privilegia estabilidade e previsibilidade sobre gestos de projeção que podem desestruturar acordos tácitos.
Em conclusão, a Itália, posicionando-se com serenidade e autoridade, propõe manter e possivelmente intensificar o esforço naval no Mar Vermelho, enquanto defende um caminho diplomático para assegurar a liberdade de navegação em Hormuz. É uma jogada pensada para preservar rotas comerciais vitais sem ampliar riscos estratégicos num momento em que o tabuleiro geopolítico exige precisão e contenção.


